Publicado 29 de Abril de 2014 - 22h44

Na Lagoa do Taquaral, espaço agora é um estacionamento de motos

Janaína Ribeiro/Especial a AAN

Na Lagoa do Taquaral, espaço agora é um estacionamento de motos

O serviço de aluguel de bicicletas em Campinas foi abandonado e corre o risco de ser extinto. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), que cogitou no ano passado a abertura de um novo processo licitatório para o serviço, afirmou nesta terça-feira (29) que está reavaliando o projeto e que não há previsão para um novo processo.

O serviço deixou de ser oferecido no começo do ano passado com o cancelamento do contrato de experiência de seis meses firmado entre a Emdec e a FG TV Produções Ltda. O motivo da não renovação do contrato por mais seis meses seria o não cumprimento do prazo para implantação das estações previstas. Até o final do contrato, estava previsto um total de 18 estações, incluindo regiões como Amarais, Aparecidinha, Castelo, Terminal Central e Terminal Metropolitano, mas a empresa contratada conseguiu implantar apenas a metade das estações previstas, totalizando nove pontos de aluguel para a população — uma delas acabou sendo desativada por questões de segurança.

Além desse problema muitos usuários reclamavam da baixa qualidade das bicicletas — algumas quebravam durante os trajetos. Mesmo com todos os problemas identificados, o projeto batizado de Viva Bike Campinas reuniu cerca de 6 mil pessoas.

Esquecimento

Nos pontos onde existiam os bicicletários não há mais sinal dos equipamentos que abrigavam as bikes. No portão 1 da Lagoa do Taquaral, o ponto onde havia a estrutura de encaixe das bicicletas virou estacionamento de motos. Sob o Viaduto Laurão, os buracos que serviram para encaixar as bases da estrutura do bicicletário foram fechados com cimento.

Lançado em setembro de 2012, na gestão do ex-prefeito Pedro Serafim (PDT), o projeto foi divulgado como um novo conceito de transporte sustentável e único no País, seguindo modelo de países europeus como Noruega, Espanha, Suécia e França.

A proposta era incentivar o uso de bicicletas, que não agridem o meio ambiente e permitem aos usuários um ganho de tempo no trânsito, nos deslocamentos de curta e média distância. Outras estações fantasmas estão localizadas nos distritos de Barão Geraldo e Sousas e na Avenida Norte-Sul. O Viva Bike promovia cerca de 600 viagens semanais.

“É uma pena e uma perda para a cidade que é tão carente quando o assunto é lazer. É preciso saber exatamente o que aconteceu, o grande prejudicado é a população. Mas é preciso melhorar muito a questão de segurança na ciclofaixa da cidade. Eu sempre quis comprar uma bicicleta elétrica para ir ao trabalho, mas não tenho coragem porque tenho medo do trânsito. A cidade não tem ciclovia com segurança para esse fim”, disse o administrador Rodolfo Rocha, de 38 anos.

O especialista em TI e ciclista Danilo Machado, de 31 anos, lamenta o fim dos bicicletários. “Mais uma vez Campinas retrocede. Quando a gente acredita que a cidade vai dar valor a esse tipo de locomoção, tomamos um banho de água fria e tudo volta a zero.”

O comerciante Jurandir dos Santos, de 69 anos, trabalha em uma barraca de comida em frente ao antigo bicicletário da Lagoa. “Até pouco tempo as pessoas vinham atrás para retirar a bicicleta, mas já não tinha nem sinal delas. No começo muita gente começou a retirar e usar, mas com o tempo a procura caiu por conta da qualidade delas. Clientes meus reclamavam que elas eram duras, quebravam e tinha que empurrá-las até o próximo ponto. A Emdec deveria ter visto a qualidade dos equipamentos antes de fechar contrato.”