Publicado 29 de Abril de 2014 - 22h27

Em meio à pior epidemia de dengue da história de Campinas, o Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) poderá, se necessário, “exportar” pacientes para outras unidades de saúde da região caso não tenha condições de atendê-los.

A região Norte, onde fica o HC, de Barão Geraldo, é a que mais concentra casos de dengue na cidade, segundo balanço divulgado essa semana. A região acumula 26% dos casos (4.505).

A nova medida começou a ser adotada esta semana e, segundo a assessoria de imprensa da universidade, por enquanto nenhum paciente foi transferido para outro hospital devido à superlotação.

Segundo nota oficial da Secretaria de Estado da Saúde, será a Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross) que auxiliará “em possíveis transferências de pacientes com dengue para unidades da região que tenham condições de recebê-los”.

A assessoria de imprensa do órgão informou que a “exportação” serve para otimizar o atendimento. A diretora responsável pelo Departamento Regional de Saúde de Campinas, Márcia Bevilacqua, foi procurada ontem para falar sobre o assunto mas não pôde conceder entrevista.

Durante a crise, o hospital, referência na região por possuir quadro universitário, tem registrado picos de atendimento. Na segunda-feira (28), o hospital registrou 430 atendimentos durante o dia no Pronto-Socorro Adulto e Pediátrico.

O número representa quase o dobro da capacidade média de pacientes, que é de 280 pessoas por dia. Dos 430 pacientes, 25% correspondem a casos de dengue.

O Correio noticiou que pacientes do São Marcos e Hortolândia chegaram a recorrer ao HC da Unicamp porque não conseguiram se tratar da dengue, apesar de já terem se consultado em outras unidade de saúde.

O corpo clínico do hospital é composto por médicos, professores, residentes da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e alunos. São 40 macas disponíveis, além de 10 leitos para urgências e emergências.

Com a dengue, uma equipe extra com dois técnicos de enfermagem e um médico infectologista foram realocados para dar conta da alta demanda. Mas, apesar de ser lembrado pela população para tratar de doenças como a dengue, a vocação do hospital é de casos graves.

A medida foi autorizada pelo Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, que também informou que o HC aumentou o pagamento de hora extra para enfermeiros, médicos e funcionários administrativos.

Além disso, duas salas extras de hidratação foram disponibilizadas, a equipe de enfermagem do pronto-socorro foi ampliada e o corpo clínico da unidade vem recebendo treinamentos, com auxílio da Vigilância Epidemiológica, para tratamento específico dos pacientes com dengue.

Na segunda-feira, o secretário de Saúde do município, Carmino de Souza, havia informado que o Estado estudava a ajuda “indireta” à Campinas por meio da Unicamp. Segundo ele, o governo estadual tem uma visão metropolitana da crise e, por isso, o reforço ao hospital universitário.