Publicado 28 de Abril de 2014 - 19h21

Por Maria Teresa Costa

Um plano de contingência para o enfrentamento da crise hídrica que atinge as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) será definido nesta terça-feira (29) em Santa Bárbara d’Oeste, na reunião do GT-Estiagem, grupo criado pelos Comitês PCJ para definir estratégias para que a região possa ter condições de enfrentar o período de estiagem que vai até outubro.

Com os reservatórios operando com apenas 10,6% da capacidade, o menor da história do Sistema Cantareira, o grupo vai propor medidas para preparar os usuários, como o setor industrial, para enfrentar a estiagem que vem pela frente.

As propostas que serão aprovadas hoje irão para a deliberação dos Comitês PCJ, órgão máximo de decisões na região das bacias. Um dos setores que mais preocupa, depois do abastecimento da população, é o industrial, porque aqueles que demandam água na produção poderão ser afetados com paralisação, que terá consequências sérias na região, como a demissão de trabalhadores.

Os 20 maiores consumidores industriais das bacias utilizam 6m3/s de água — como comparação, Campinas retira 3,4m3/s do Rio Atibaia para abastecer 95% da cidade.

O grupo tem 18 participantes, representantes das secretarias dos Comitês PCJ, das câmaras técnicas dos comitês, da Agência de Bacias, de instituições representativas dos setores usuários e das agências reguladoras. Esse grupo vai atuar de forma semelhante ao GT-Cantareira, que monitora o sistema e propõe medidas aos órgãos gestores. O GT-Estiagem fará o mesmo, mas com propostas para serem adotadas pelos usuários de água da região de Campinas.

Medidas para o enfrentamento da estiagem já foram sugeridas, em fevereiro, pelo grupo de Eventos Extremos do Consórcio PCJ, uma entidade de usuários de água que elencou 25 ações necessárias para que as cidades possam passar pelo período de seca com alguma tranquilidade. Uma delas foi a necessidade de cadastramento de caminhões-pipas pelas prefeituras e empresas, para poder transportar água tratada aos locais onde for necessário e o acesso e cadastramento pelas prefeituras de todos os poços de água profundos disponíveis nas cidades para serem usados na emergência. Também é parte das propostas, a elaboração de um modelo de decreto municipal com medidas para o controle dos desperdícios de água pela população.

A estiagem, que oficialmente começou na segunda quinzena deste mês, encontrou quatro cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) em racionamento desde fevereiro, quando a falta de chuva agravou a seca nos mananciais que abastecem os municípios de Vinhedo, Valinhos, Cosmópolis e Santo Antonio de Posse. Embora tradicionalmente a estiagem chegue com o Outono, no Sistema Cantareira, ela chegou no Verão, reduzindo diariamente o volume de água armazenado.

O grupo vai discutir e definir medidas que municípios, agriculturas e indústria deverão adotar para a racionalização do uso da água. Esse grupo anticrise está monitorando a situação dos mananciais da região e com base nisso vai propor ações entre os diversos usuários para a cooperação mútua em situações de emergência.

Sistema Cantareira chegou a 3,34% de sua capacidade

O maior reservatório do Sistema Cantareira, o Jaguari-Jacareí chegou ontem a apenas 3,34% de sua capacidade de operação, armazenando 27 milhões de metros cúbicos de água — há um ano essa represa tinha 528,4 milhões de metros cúbicos, o equivalente a 65,37% de sua capacidade. Ela será a primeira do sistema a ter o volume morto retirado, o que deverá ocorrer, segundo cronograma da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a partir de 15 de maio. O volume morto é uma reserva existente nos reservatórios que precisa de uso de bombas para ser retirado.

O Cantareira voltou a bater recorde histórico de menor volume de água armazenado e ontem operou com apenas 10,6% de sua capacidade de volume armazenado. O conjunto de represas do chamado Sistema Equivalente, que represam os rios das bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), estava ontem com apenas 103,4 milhões de metros cúbicos armazenados.

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Maria Teresa Costa