Publicado 26 de Abril de 2014 - 20h28

Por Maria Teresa Costa

Vista do rio em fevereiro, quando vazão ficou inferior a 4m3/s, e em alguns trechos, água ficou empoçada

Cedoc/RAC

Vista do rio em fevereiro, quando vazão ficou inferior a 4m3/s, e em alguns trechos, água ficou empoçada

A vazão atual do Rio Atibaia, que abastece 95% de Campinas, está voltando a preocupar: a falta de chuva nos afluentes do rio e no Sistema Cantareira está levando à redução constante da vazão nos últimos dez dias.

 

No dia 14, estavam passando na área de captação da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), 20,4m3/s, e na última sexta-feira a vazão chegou a 8,9m3/s.

 

“Se não chover nos próximos dez dias vamos ter problemas para captar água no Atibaia”, disse o consultor da Sanasa, Paulo Tinel.

Há previsão de chuvas entre os dias 1° e 2 de maio, mas se elas não vierem ou forem insuficientes, Campinas poderá voltar a enfrentar o risco de racionamento, como ocorreu em fevereiro, quando chegaram a passar apenas 3,4m3/s, volume que foi todo retirado do rio, deixando a calha do Atibaia praticamente seca por cerca de 14 quilômetros.

 

 

 

O presidente da Sanasa, Arly de Lara Romêo, no enrocamento feito para facilitar a captação de água no Atibaia

Créditos: Cedoc/ RAC

 

 

 

 

Na época, numa operação de socorro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) autorizou a liberação de mais 1m3/s de água do Cantareira para o Rio Atibaia, que amenizou a situação.

 

Em fevereiro, o rio chegou a sua pior degradação desde o início da seca.

 

Em um trecho entre o ponto de captação da Sanasa na Rodovia D. Pedro I e o Ribeirão das Cabras, no distrito de Sousas, onde está o próximo afluente, não houve vazão.

 

O rio tinha apenas água parada em meio a muitas pedras, cheirava mal e foi tomado pela poluição. Após o enrocamento da Sanasa — uma espécie de barragem construída para elevar o nível do rio e permitir a captação da água — nenhum volume seguiu em frente.

A Sanasa, desta vez, estabeleceu o limite de vazão de 4m3/s para iniciar os cortes programados no fornecimento de água à população, para poder retirar 3,2m3/s para abastecer a cidade e deixar seguir 0,8m3/s para garantir a vazão ecológica do rio. Com 3,2m3/s já há necessidade de racionamento.

Rodízio

A Sanasa tem um plano de contingenciamento montado, caso o volume de água no Atibaia não seja suficiente para garantir o abastecimento de 95% da cidade.

 

A empresa dividirá Campinas em regiões e, no primeiro estágio do racionamento, cada uma delas terá restrição de oferta durante quatro horas, uma vez por semana.

 

No segundo estágio, serão duas vezes por semana e no terceiro, restrição de seis horas duas vezes por semana.

Se chegar a ser implantado, o racionamento será uma imposição que não ocorria desde 1982, época em que havia água suficiente no Rio Atibaia, mas a cidade não tinha capacidade instalada para ampliar o tratamento de água.

Isso foi resolvido com a construção de estações de tratamento.

 

Agora, sem água no rio, a Sanasa está montando um sistema de distribuição para que a população que tem caixa d’água consiga se abastecer para as necessidades básicas.

Na situação atual, Campinas não pode contar muito com a água liberada pelo Sistema Cantareira, que tem descarregado 2m3/s no Rio Atibaia.

 

Com o esvaziamento dos reservatórios em ritmo acelerado, nem esse volume estará garantido se houver o agravamento da crise hídrica.

 

A Bacia do Atibaia é constituída predominantemente por seus afluentes da margem direita, onde estão a Bacia do Ribeirão das Cabras, e dos córregos da Fazenda Santa Terezinha, Fazenda das Pedras, Fazenda São Lourenço, das Sete Quedas e da Fazenda Mato Dentro.

 

Na área próxima ao distrito de Sousas, estão englobadas também microbacias da margem esquerda, onde a mais importante é a do Córrego dos Pires. Há ainda contribuição do Ribeirão Anhumas.

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Maria Teresa Costa