Publicado 01 de Março de 2014 - 5h30

Campinas acumulou, nos últimos 15 anos, 150 toneladas de lixo eletrônico, volume que sobrecarrega os ecopontos, locais que recebem, entre outros materiais, também esse tipo de resíduo. Sem acordo com empresas para uma destinação, boa parte dos aparelhos acaba indo para um depósito no Jardim Nova Mercedes, onde há também cerca de 80 carcaças de carros.

O ecoponto da Vila União, por exemplo, está lotado de televisores, computadores e máquinas de lavar antigas e sem uso. O material estaria parado no local há cerca de quatro meses, segundo relatos. Os aparelhos ficam expostos ao tempo e podem liberar toxinas. Um computador, por exemplo, possui mercúrio, chumbo e cádmio — metais danosos à saúde. No total, Campinas mantém 10 ecopontos.

A Prefeitura informa que, no caso deste tipo de lixo, a responsabilidade de realizar a destinação correta é do gerador. Segundo lei de 2010, que instituiu a política nacional de resíduos sólidos, a logística reversa é responsabilidade de fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. A lei foi sancionada em 2012. A Administração realizou reuniões com empresas no ano passado para tentar uma solução, mas não houve retorno. Para reciclar todo o material eletrônico acumulado na cidade o custo seria de R$ 30 milhões.

Desconhecimento

O descarte nos ecopontos é legal, mas, campineiros ouvidos pelo Correio afirmaram desconhecer o sistema. Os espaços são aptos a recolher resíduos da construção civil (entulho, madeiras), resíduos especiais (lixo eletrônico, pilhas, lâmpadas, baterias, óleo comestível usado, pneus), massa verde proveniente de podas e objetos inservíveis, como sofás, armários, móveis etc.

“Nunca ouvi falar em ecopontos. Seria importante divulgar”, afirmou o fiscal de loja Hélio Martins, de 48 anos. Segundo ele, há alguns lugares para descarte de pilhas e baterias de celulares no terminal central de ônibus, mas acredita que a divulgação dos pontos de descarte de lixo eletrônico ajudaria. “Às vezes andando você vê televisores jogados nas ruas, em terrenos baldios. É pior, deixa sujo. Deveria ter um lugar conhecido para destinar o lixo.”

“Seria melhor se fosse anunciado e as pessoas poderem saber onde são. E ter mais, para ficar mais fácil”, disse a estudante Evellyn Pinto, de 16 anos. Ela conta que costuma guardar os aparelhos em casa por um bom tempo, até jogá-los no lixo comum — algo que não deve ser feito devido os riscos de contaminação.

Já a operadora de financeiro Natalia Ribeiro, de 24 anos, afirmou conhecer os ecopontos, mas gostaria que houvesse mais pontos em bairros e no Centro, para objetos menores. Natalia afirmou que não costuma jogar aparelhos velhos fora, mas vendê-los.

A professora do Departamento de Saneamento e Ambiente da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp, Eglê Novaes Teixeira, afirmou que a proposta do ecoponto é interessante, pois reúne o material de lixo eletrônico num lugar para reciclá-lo. A reciclagem só se torna vantajosa economicamente quando em grande quantidade. No entanto, o fato de haver acúmulo por tempo indeterminado é perigoso, devido aos metais nas placas. “Tem que ter uma previsão onde vai colocar o resíduo. E a reciclagem dos eletroeletrônicos não está bem difundida”, disse.

Resposta

Sobre o acúmulo de entulho, o diretor do Departamento de Limpeza Urbana (DLU), Alexandre Gonçalves, afirmou que a demanda é muito alta. “Ainda não há um compartilhamento para a destinação do resíduo entre Prefeitura, consumidor e produtor. Não há vazão suficiente”, disse.

Segundo Gonçalves, a Prefeitura tem feito acordos específicos com empresas na cidade para destinar o lixo eletrônico à reciclagem correta. Ele não soube citar quantos são e detalhar os acordos. Sobre as carcaças de carros, o DLU informou que deve doá-las à cooperativa Reciclamp. Ainda não há previsão de quando isso deve ocorrer.