Publicado 05 de Março de 2014 - 19h46

Chuvas causam estragos no Jardim Bandeira 2, em Campinas

Dominique Torquato/AAN

Chuvas causam estragos no Jardim Bandeira 2, em Campinas

Oito famílias do Jardim das Bandeiras 2, em Campinas, tiveram suas casas alagadas, móveis destruídos e eletrodomésticos danificados pela tempestade da noite de terça-feira (4). A força da água que desceu pela Rua João Galego chegou a derrubar os portões de algumas residências, que tiveram quase um metro de inundação. A chuva forte, que começou às 19h e durou apenas 30 minutos, trouxe barro também às vielas da ocupação irregular, proveniente da obra de um condomínio de apartamentos populares que está sendo construído no bairro.

Moradores disseram que ligaram para a Defesa Civil às 19h20, mas os agentes chegaram apenas às 23h30, depois que o temporal já tinha passado e os habitantes já contabilizavam os prejuízos. Na manhã desta quarta-fira (5), assistentes sociais e funcionários da Secretaria de Serviços Públicos ainda ajudavam as famílias a limparem as casas e a removerem objetos. As residências, no entanto, não estão condenadas, segundo a Defesa Civil.

Estragos

A casa do motorista Cesar Saraiva da Silva, 37 anos, e de sua esposa, Marlene Maria da Silva, de 32, foi uma das que mais sofreram com os estragos da chuva. Marlene estava sozinha, no banho, quando a sua sala começou a alagar. "Quando vi, o portão dos fundos já tinha cedido com o peso da água. O nível começou a subir rápido e não consegui salvar muita coisa. Pensei só em sair daqui e preservar a minha vida", disse.

Silva chegou minutos depois com um dos filhos na casa, mas não havia muito a ser feito. Uma televisão, duas geladeiras, um aparelho de som, colchões e alimentos já haviam sido destruídos pela água. "Chamamos a Defesa Civil às 19h20. Esperamos muito a ajuda de alguém, mas eles só chegaram às 23h30" , disse o motorista.

Lama

Na residência onde a dona de casa Neide Caetano, de 45 anos, mora com dois filhos e o irmão, todas as roupas foram sujas pela lama. Documentos, colchões e medicamentos caros também foram perdidos por causa da água. "Tem remédios estragados do meu irmão aqui que eu ainda não terminei de pagar. Ele faz tratamento no Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e não conseguimos pegar tudo na farmácia gratuita", disse.

A dona de casa Elizangela Josefa Alves de Souza também perdeu roupas, cobertores, colchões e mantimentos. "A água chegou a mais de um metro. Tem roupa que não deu para lavar e teve que ir para o lixo mesmo" .

Tubulação

Moradores que moram no local há 30 anos afirmaram que nunca houve alagamentos na área. "Desconfiamos que a água veio de uma tubulação de um residencial do Minha Casa Minha Vida que está sendo construído em cima da rua (João Galego). Não passamos por nada parecido e a chuva foi de pouco tempo" , disse Elizangela.

Pelo menos duas assistentes sociais da Prefeitura analisaram se as famílias poderiam ou não ficar no local ontem. "Concluímos que não há motivos para a remoção", afirmou a assistente Edna Carvalho. A equipe fez o atendimento emergencial das famílias, distribuindo sete colchões e duas cestas básicas. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, o trabalho de apoio às famílias continua durante a semana: as equipes ajudarão os moradores a providenciar documentos perdidos e farão doação de roupas. A Vigilância em Saúde informou que distribuiu hipoclorito para as famílias colocarem na água e fizeram orientações a respeito da leptospirose.

Defesa Civil

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, às 20h já havia equipes da Defesa Civil ajudando famílias em bairros do entorno, mas a primeira ligação da Rua João Galego foi registrada às 21h. A Secretaria de Urbanismo informou que houve um problema de drenagem no empreendimento do Minha Casa Minha Vida, por causa de uma movimentação de terra. A construção foi notificada e os funcionários da empreiteira estão corrigindo o problema.