Publicado 03 de Março de 2014 - 21h07

O serviço de urgência na segunda-feira de Carnaval tinha pessoas deitadas no chão e até desmaios pela manhã

Elcio Alves/ AAN

O serviço de urgência na segunda-feira de Carnaval tinha pessoas deitadas no chão e até desmaios pela manhã

Quem precisou recorrer, nesta segunda-feira (3) ao Pronto-Socorro (PS) Adulto do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas, esperou até seis horas e meia por atendimento.

O serviço de urgência de Carnaval tinha pessoas deitadas no chão e até desmaios pela manhã.

Parte dos usuários se irritaram com a demora e discutiu com seguranças. Uma senhora que chegou ao local com o nível de pressão arterial de 21 por 15, às 9h30, foi medicada apenas às 16h.

A Secretaria de Saúde alegou que o movimento estava acima do normal para o dia e que o PS tinha dez médicos. Porém, usuários relataram que apenas dois profissionais estavam fazendo avaliações.

A aposentada Célia Freitas, de 65 anos, chegou no hospital com a pressão muito alta. Ela sentia pontadas no peito e dor de cabeça. "Eles checaram a pressão e mesmo assim pediram para esperar com as outras pessoas. Eu tinha que, no mínimo, ficar deitada. Mas não tinha leito. Achei que estava infartando" , disse Célia, que tomou o remédio para hipertensão seis horas e meia depois de passar pela triagem.

Situação parecida ocorreu com a aposentada Olga Maria Marçal, de 77 anos, que ontem estava com tosse, febre alta e suspeita de pneumonia. "Cheguei às 10h e até agora (16h) não tomei nenhuma medicação. Não vou aguentar esperar muito tempo porque estou sem comer. Se não me chamarem em meia hora, vou embora" , disse a idosa, que contou ainda que costuma esperar até duas horas por atendimento no PS em dias normais. "Acho que eles deixaram menos médicos por causa do feriado" .

Com fortes dores abdominais, a aposentada Maria Laukatin, de 82 anos, também esperou seis horas por atendimento. "Eu acho uma humilhação tratar gente mais velha desse jeito. Eles não dão previsão de nada. Ninguém quer passar o feriado no banco do hospital. A gente não está aqui porque quer" , disse.

Por nota, a assessoria de imprensa do Mário Gatti informou que a demora no atendimento foi causada "pela alta demanda de pacientes idosos e outros que necessitam de cuidados prioritários" . Ainda de acordo com o texto, dez médicos atenderam no hospital ontem durante o dia. Em entrevista na semana passada, o secretário de Saúde Antonio Carmino de Souza disse que a equipe do Hospital Municipal é uma das mais completas das unidades do município, com 465 médicos. Ainda em novembro, a pasta informou que os profissionais iriam receber prêmio por produtividade.