Publicado 04 de Março de 2014 - 5h00

Por Zeza Amaral

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Futebol e carnaval sempre andaram juntos. Cachaça e mulher, idem. A rigor, não há nenhum estudo sério sobre o assunto além de chutes tortos que a crônica fofoqueira desfere para desvendar o momento em que tal acasalamento se deu.

 

Mas é inegável que o carnaval contribuiu e muito para alegrar e motivar os torcedores nos estádios.

 

Charangas tocando marchinhas de carnaval e torcedores sincopando sambas em tamborins, repeniques, contra surdos e treme terras, sem dúvida, faz de uma partida de futebol um espetáculo à parte.

 

E não foi por outro motivo que um dos maiores compositores de marchas carnavalescas, Lamartine Babo, foi contratado para fazer “hinos” de quase uma dúzia de times de futebol. A maioria, aliás, de gosto duvidoso.

Sambódromo é um lugar esquisito onde milhares de folões passam sambando com hora marcada. No futebol pelo menos o árbitro dá uns três minutos de acréscimo e isso pode fazer a diferença entre a derrota, o empate e a vitória.

 

E como explicar a vigilância da imprensa esportiva sobre jogadores de futebol que gostam de brincar o carnaval, hein? Muitos deles, sabem todos os jornalistas, é um pagodeiro de mão cheia. Aliás, invariavelmente todos comemoram um gol executando passos dignos de um mestre-sala.

 

Nenhum deles foi o primeiro e nem será o último boleiro no carnaval. O sempre comedido Júnior, por exemplo, mangueirense de coração, sempre saia em uma ala da Império Serrano.

 

E Serginho Chulapa, no início dos anos 80, no auge da carreira, organizou uma pelada de carnaval com outros companheiros: todos vestidos de mulher. Até o saudoso João do Pulo, então recordista mundial do salto triplo participou da brincadeira.

 

Mas acho que o melhor boleiro que já surgiu no carnaval é o Moisés, campeão paulista de 1977 pelo Corinthians. Ele era o líder do Bloco das Piranhas, um grupo que reunia homens que desfilavam vestidos de mulher pelas ruas cariocas.

 

Da “moça” que era na folia, Moisés era um zagueiro implacável. Indagado a respeito, ele respondeu: “Zagueiro que se preza não ganha o Prêmio Belfort Duarte” (uma premiação anual para o jogador mais disciplinado do ano).

 

E se tem coisa que jogador de futebol mais gosta é de gente. Muita gente. No carnaval tem aos montes; já nos estádios o tédio e a solidão imperam. E que o Rei Momo os proteja.

Bom dia.

Escrito por:

Zeza Amaral