Publicado 02 de Março de 2014 - 11h34

Por Bruno Bacchetti

CICLOVIAS

Bicicleta fica em segundo plano nas cidades

Região tem 70 quilômetros de ciclofaixas e ciclovias; cidades europeias chegam a ter até 400 quilômetros

02/03/2014 - 11h15 | Bruno Bacchetti

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Foto: César Rodrigues/AAN

Ciclovias

O office boy Arnaldo Pifani trafega por ciclovia de Indaiatuba, considerada a 'capital paulista das biciletas'

A bicicleta é vista como uma alternativa ecológica e sustentável ao trânsito carregado das grandes e médias cidades e auxilia a reduzir a poluição do meio ambiente. No entanto, os municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) não têm investido na criação de ciclofaixas e ciclovias. Os espaços destinados aos ciclistas nos 19 municípios da região somam cerca de 70 quilômetros, o que corresponde à distância de Campinas a Bragança Paulista, por exemplo. Muito pouco se comparado a cidades da Europa como Amsterdã (Holanda) e Barcelona (Espanha), que possuem 400 e 230 quilômetros de ciclovias, respectivamente. Sete cidades da RMC ainda estão um passo atrás e sequer possuem ciclovias ou ciclofaixas: Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Monte Mor, Nova Odessa, Pedreira, Santo Antonio de Posse e Sumaré.

Para o arquiteto e urbanista Wilson Ribeiro dos Santos, especialista em mobilidade urbana e professor da PUC-Campinas, falta a adoção de políticas públicas que coloquem a bicicleta como uma opção complementar para o trânsito carregado. Não existe integração das ciclovias aos terminais de passageiros, como ocorre nas principais cidades do mundo. “A mobilidade urbana está muito comprometida e deve-se criar alternativas. Mas as ciclovias têm sido criadas fora de um sistema integrado. Elas têm de ser pensadas como uma mobilidade complementar, porque na verdade ela não tem capacidade de ser uma mobilidade principal”, afirma Santos.

Segundo o acadêmico, outro problema é que a maior parte dos espaços destinados aos ciclistas visa o lazer e não funciona como uma ferramenta de transporte para o trabalho ou estudo. “Usar as ciclofaixas somente em períodos especiais, aos finais de semana, como ocorre em Campinas e São Paulo, por exemplo, é um paliativo. A baixa quantidade de quilômetros também me preocupa”, ressalta.

Maior cidade da região, Campinas lidera a quantidade de ciclovias e ciclofaixas, totalizando atualmente cerca de 27 quilômetros. A maior delas é a ciclofaixa de lazer entre a avenida Norte-Sul e a Lagoa do Taquaral, com total de 9,1 quilômetros. No entanto, ela funciona somente no domingo de manhã e em datas específicas, como feriados. Outros espaços destinados aos ciclistas na cidade são o kartódromo, Praça Arautos da Paz, Amarais, Barão Geraldo, Ouro Verde e Parque Linear Dom Pedro.

Em Americana, existem duas ciclovias, na Avenida Abdo Najar, no bairro Nova Americana, com uma extensão de 2,2 quilômetros, e na avenida Antonio Pinto Duarte, que possui 3.765 metros. Ainda em fase de implantação está a ciclovia do Parque Natural Municipal da Gruta Dainese, que terá extensão de aproximadamente 3,8 quilômetros.

Investimento

Conhecida como “capital paulista das bicicletas”, Indaiatuba conta atualmente com aproximadamente 10,4 quilômetros de ciclovias e 11,7 quilômetros de ciclofaixas. Recentemente teve início a construção de um novo trecho de ciclovia no canteiro da avenida Francisco de Paula Leite, que compreenderá mais 1,8 quilômetro. Conforme cálculo estimado pela Associação dos Ciclistas de Indaiatuba, o município conta hoje com cerca de 130 mil ciclistas.

Embora tenha crescido o número de pessoas que utiliza a bicicleta por lazer ou como meio de transporte, muitos adeptos da pedalada no município reclamam da falta de espaço adequado. Outra crítica é o comportamento de motoristas, que em sua maioria não respeitam as bicicletas e invadem as faixas exclusivas.

“Vou para o serviço de bicicleta e uso a ciclovia, mas tem horas que é preciso ir por fora, no meio do trânsito. Tem que ter atenção, porque muitos motoristas não respeitam os ciclistas, abrem a porta com tudo. Falta espaço para a bicicleta, principalmente no Centro”, conta o office boy Arnaldo Pifani, de 20 anos.

Para o aposentado Beto Valezin, de 57 anos, é necessário investimento e ampliação das ciclovias e ciclofaixas por toda as regiões da cidade, para facilitar o deslocamento. Ele reforça, ainda, a importância da interação entre carros e bicicletas. “Em primeiro lugar está faltando respeito dos carros. Em alguns trechos não existe acostamento. Em algumas partes, como Cidade Nova e 9 de Julho o tráfego é intenso e a bicicleta poderia ajudar no trânsito carregado”, sugere.

 

Foto: Cedoc/RAC

Trecho de ciclofaixa na avenida Norte Sul: exclusividade para bicicletas só funciona aos domingos e feriados

Trecho de ciclofaixa na avenida Norte Sul: exclusividade para bicicletas só funciona aos domingos e feriados

Em Campinas, plano prevê 120 km de vias exclusivas

O Plano Cicloviário de Campinas, elaborado em 2012 pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), prevê a criação de mais 120 quilômetros de vias cicláveis e dezenas de bicicletários na cidade nos próximos anos. O município possui atualmente 27 quilômetros de ciclofaixas e ciclovias, e a meta é alcançar 140 km até 2017. O objetivo é incentivar o uso da bicicleta para pequenos deslocamentos, a fim de aliviar o trânsito nas principais vias da cidade. A ideia é realizar parcerias com instituições privadas para aluguel de bicicletas e sinalização, como já ocorre em outras cidades do País e da Europa.

De acordo com a Emdec, os trajetos definidos atendem, necessariamente, a equipamentos públicos importantes, como escolas, creches, hospitais, centros de saúde e áreas de lazer (bosques, praças, teatros). A rede de ciclovias e ciclofaixas será interligada ao Sistema InterCamp, possibilitando a integração com o transporte público coletivo municipal.

O Jardim Nova Europa, em Campinas, vai ganhar em breve uma ciclovia de 1,7 quilômetro na Avenida Baden Powell. A construção no canteiro central da via deve começar em abril e a estimativa para entrega é de até um mês. Além da pista para bicicletas será construída, paralela à ciclovia, uma pista para caminhada. O local também receberá uma reforma no paisagismo e na iluminação.

Outras cidades da região que ainda não possuem espaço exclusivo aos ciclistas planejam a implantação de ciclovias. Na pequena Santo Antonio de Posse, cidade que não conta com o serviço de transporte coletivo urbano, a bicicleta é utilizada por boa parte da população para realizar tarefas cotidianas, como ir ao trabalho ou escola.

Um projeto em tramitação na Câmara de Vereadores prevê a construção de uma ciclovia na cidade. Monte Mor, Nova Odessa e Sumaré também têm projetos para a implantação de espaços destinados exclusivamente aos ciclistas. (BB/AAN)

SAIBA MAIS

Existem duas maneiras de ampliar a segurança dos ciclistas: as ciclofaixas e as ciclovias. A primeira consiste em espaços pintados no piso, sinalizando onde os ciclistas devem circular. Geralmente as ciclofaixas são pintadas nas ruas e avenidas e dividem espaço com os carros, dando exclusividade ao ciclista em determinadas faixas da via. Já as ciclovias são vias exclusivas para ciclistas, separadas fisicamente das vias de veículos por canteiros, calçadas, muretas ou meio fio. Nas ciclovias é proibida a circulação de carros, motos e também de pedestres. A maior parte dos espaços destinados aos ciclistas na região são as ciclovias, destinadas principalmente para o lazer.

DEZ DICAS DE SEGURANÇA PARA OS CICLISTAS

1. Quando houver ciclovia ou ciclofaixa, ande sempre do lado direito da pista, próximo ao meio-fio

2. Conduza o passageiro na garupa ou assento especial destinado a ele, nunca no “cano” da bicicleta

3. Olhe para os dois lados antes de atravessar, mesmo se a rua for mão única, e sinalize com suas manobras as mãos

4. Utilize os itens de segurança, como capacete e luzes, principalmente em dias de chuva e à noite

5. Segure o guidão com as duas mãos e não faça manobras bruscas, que podem assustar quem vem atrás

6. Jamais ande na contramão e redobre o cuidado ao entrar à esquerda da via

7. Entre devagar em uma rua e evite frear bruscamente, pois podem aparecer poças d’agua, areia ou pedregulhos

8. Evite andar por avenidas movimentadas, e opte sempre que possível por ciclovias ou ciclofaixas

9. Redobre a atenção nos cruzamentos, e se possível atravesse a rua empurrando a bicicleta

10. Não circule com fones de ouvido. Isso pode comprometer a audição, importante no trânsito

Escrito por:

Bruno Bacchetti