Publicado 01 de Março de 2014 - 11h39

Por José Ricardo Ferreira

Vândalos atiram bombas na cada do diretor Renato Bonfiglio

Antonio Trivelin/Gazeta de Piracicaba

Vândalos atiram bombas na cada do diretor Renato Bonfiglio

Duas bombas de fabricação caseira foram atiradas, na madrugada da sexta-feira (28), no quintal da casa do diretor de futebol do XV de Piracicaba, Renato Bonfiglio. localizada na Vila Rezende, em uma rua de classe média.

 

De acordo com ele, foram dois fortes estrondos por volta das 3h. Vidraças foram estilhaçadas e ficaram marcas no piso do quintal. O muro da residência também foi pichado pelos vândalos. Não houve feridos.

 

A má fase do XV no Paulistão motivou o protesto violento por parte de alguns torcedores, segundo constatou o dirigente. Ele acredita que membros de alguma torcida organizada praticaram o protesto. Nenhuma uniformizada havia o procurado, ou ao clube, até o início da noite de ontem para rechaçar qualquer envolvimento.

 

 

Vândalos atiram bombas na cada do diretor Renato Bonfiglio

O caso foi registrado no 4º Distrito Policial, também na Vila Rezende. O boletim de ocorrência 405/2014 não descreve como atentado ou tentativa de homicídio o acontecimento, mas como “danos, ameaça e injúria real”. O boletim foi lavrado por volta das 11h de ontem, pela delegada Eliana Carmona, mas as investigações devem começar neste sábado (1º).

 

Se preciso for, a Polícia deve solicitar imagens registradas nas câmeras de segurança na parte externa da casa do diretor e de sua vizinhança, para buscar alguma imagem dos vândalos.

 

Os muros da frente do Estádio Barão da Serra Negra também foram pichados com ofensas a Bonfiglio e à diretoria do clube. Cartazes com a foto do diretor e os dizeres “Fora Renato Bonfiglio” foram colocados em vários pontos do lado de fora do Barão.

 

As pichações no muro da residência de Bonfiglio foram apagadas logo nas primeiras horas da manhã de ontem. Mas permaneciam nos muros do estádio até o final da tarde. Com exceção de Bonfiglio, outros diretores e o presidente do clube, Celso Christofoletti, não se pronunciaram oficialmente sobre o caso. O assessor de imprensa do XV, Fernando Galvão, comentou com a reportagem que o presidente estava “nervoso com a situação e optou em não se pronunciar por enquanto”.

 

Temendo protestos mais fortes no Barão, a diretoria do clube contratou 10 seguranças, ontem, para proteger a fachada e o estacionamento do estádio. Os portões do Barão foram também fechados.

 

O técnico do XV, Edison Só, revelou-se assustado com os acontecimentos e diz que terá mais “precaução” após os protestos de ontem. A ação violenta contra o diretor de futebol do Nhô Quim aconteceu menos de 24 horas após o clube bancar a permanência do treinador.

Segunda vez

 

Foi a segunda vez que a residência de Bonfigio foi alvo de protestos. No ano passado, quando o time também estava mal na competição, sua casa foi atingida por pedras e o muro pichado.

Em 2009, assustado com o protesto de um grupo de torcedores, Bonfiglio, que é advogado, atirou uma vez para cima, em frente à porta do vestiário do Barão. O time havia perdido para o Osasco, na Grande São Paulo, e com isso não subiu para a Série A2. Bonfiglio foi autuado em flagrante e respondeu à Justiça por não ter porte de arma. Desde então, tem sido alvo de críticas ácidas de grupo de torcedores e de vandalismo como o do ano passado e da madrugada de sexta-feira.

 

O dirigente disse ontem que não deixará o cargo - a não ser que Christofoletti o afaste - e que não mudará sua rotina. Ele disse à Gazeta que não tem medo dos vândalos e que se há problemas, que sejam resolvidos com ele, não colocando sua família em risco.

 

“É a segunda vez que isso (protesto violento) acontece. No ano passado também houve. O time nem está na zona de rebaixamento. Torcedor do XV não faz isso. É meia dúzia de bandidos. O torcedor precisa ter paciência. Agora vou até o fim. Quero esses bandidos na cadeia”, afirmou, ontem à tarde, no Barão.

 

O dirigente lembrou a invasão do CT do Corinthians, na capital, em fevereiro, e entende que “torcedores copiam a violência”. Para ele, as organizadas precisam buscar o diálogo e não os protestos violentos.

Treinador

Treinador de clubes há 20 anos, o técnico Edison Só confessou ontem estar alarmado com os acontecimentos. “Nunca esperava esse tipo de pressão. É lamentável. A democracia permite protestos, mas sem violência. A diretoria, o time e a comissão técnica estão trabalhando bem intencionados para sair desta situação ruim no Paulistão”, afirmou.O volante Alan Bahia também lamentou os acontecimentos. “O vandalismo não pode fazer parte do futebol”, disse.

Na classificação geral, o XV é o 15º, com 11 pontos, próximo da zona da degola que começa na 17º posição. O time volta a campo na quinta-feira (6), fora de casa, contra a Penapolense. Hoje treina e retorna na segunda-feira de Carnaval.

Escrito por:

José Ricardo Ferreira