Publicado 02 de Março de 2014 - 0h02

Geraldo Affonso Muzzi fez apenas três jogos como jogador profissional e depois ingressou na carreira diplomática, até chegar a embaixador

Leandro Ferreira/AAN

Geraldo Affonso Muzzi fez apenas três jogos como jogador profissional e depois ingressou na carreira diplomática, até chegar a embaixador

Geraldo Affonso Muzzi era um ponta-esquerda clássico, desses que atuavam no latifúndio deixado pela zaga distraída com os atacantes de ofício. Mas, a exemplo do que fazia dentro de campo, o mineiro decidiu entrar de surpresa em outra área — sabia que, na farta década de 1960, não teria muito espaço para ser um boleiro à altura de seus colegas da base do Atlético Mineiro. Fez apenas três jogos como profissional e trocou as chuteiras pelos livros da faculdade de direito.

O jeito aguerrido de jogador, no entanto, permaneceu na labuta acadêmica e o jogo foi vencido por goleada: chegou ao ápice da profissão. De ponta-esquerda, virou cônsul, diplomata, embaixador. Em 2002, no entanto, com todos os títulos possíveis dispostos na prateleira, Muzzi decidiu retribuir a paixão pelo futebol com a diplomacia de um livro sobre a Seleção Brasileira, cuja edição mais recente tem a assinatura da campineira Pontes e deve ser uma espécie de guia oficial da canarinho na Copa do Mundo que começa em junho.

A ideia do livro surgiu quando Muzzi era o embaixador brasileiro na Malásia. Às vésperas da Copa do Japão e da Coreia do Sul, ele resolveu incluir no portal da Embaixada informações sobre a Seleção a partir de 1930, a edição de estreia dos Mundiais disputada no Uruguai — que também foi o campeão.

De lá para cá, garimpou todas as informações que julgava interessantes para disponibilizar aos internautas e, diante de tamanho apuro na pesquisa, chamou a atenção do Itamaraty, que sugeriu a proposta de livro e logo a colocou literalmente no papel.

Com os cerca de 5 mil exemplares esgotados, a maior parte distribuídos no Mundial de 2002 nos dois países asiáticos, o projeto seguiu firme e forte nas duas edições seguintes (Alemanha em 2006 e África do Sul em 2010) e agora chega reeditado com a inclusão das análises, perspectivas e informações que antecedem a Copa que se aproxima.

Brasil: Em Todas as Copas do Mundo (1930 – 2014) também inclui os adversários brasileiros no Grupo A — Croácia, México e Camarões —, definidos no início de dezembro passado. Com patrocínio do Banco do Brasil, o livro (que já foi traduzido para três idiomas) chega novamente ao mercado com distribuição garantida e a expectativa do autor é que repita a proposta de ser o guia “oficial” da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

“Há bastante informação sobre os times, os países-sede, as equipes que fizeram história, os grandes jogadores que vestiram a camisa da Seleção. Mas também há dados pitorescos como a história do polvo vidente que virou a sensação do Mundial de 2006 ao acertar os vencedores de diversos confrontos”, narra Muzzi.

PALPITES

Otimista com o futuro da Seleção Brasileira, Geraldo Muzzi só não foge do óbvio quando aponta a sua maior esperança do País no mundial: Neymar. Sobre o suposto favoritismo brasileiro em jogar dentro de casa e ao lado da torcida, ele prefere ser mais cauteloso e inclui como fortes candidtatos a atual campeã Espanha, a renovada e ofensiva Alemanha e a sempre surpreendente Itália.

Argentina? Nem mesmo por dever de ofício Geraldo Muzzi ousa colocá-los nesta lista. Porque a política da boa vizinhança no futebol não é assim tão necessária quanto na vida de um diplomata.