Publicado 04 de Março de 2014 - 21h47

Os grupos que fazem a folia no distrito todos os anos disseram ao Correio que cobrarão explicações da PM e da Prefeitura sobre o episódio

Cecília Polycarpo/AAN

Os grupos que fazem a folia no distrito todos os anos disseram ao Correio que cobrarão explicações da PM e da Prefeitura sobre o episódio

Representantes de blocos de Barão Geraldo afirmaram que as depredações na Avenida Santa Izabel que ocorreram na madrugada de terça-feira, em Campinas, começaram depois da ação de repressão da Polícia Militar (PM) e da chegada da Tropa de Choque.

Os grupos que fazem a folia no distrito todos os anos disseram ao Correio que cobrarão explicações da PM e da Prefeitura sobre o episódio, que resultou em pelo menos três pessoas feridas com balas de borracha. Quem participava da festa disse ainda que viu pelo menos 12 bombas de gás lacrimogêneo sendo jogadas no meio da multidão.

A integrante do Bloco União Altaneira, que participou na segunda-feira (3) também do Bloco do Sousa, Mariana Menezes, de 32 anos, disse que os foliões participavam de uma roda de samba na Praça do Coco quando foram encurralados pelos policiais.

Ainda de acordo com a professora, as ações de vandalismo foram reativas a uma ação ofensiva da PM. "Recebemos relatos que tudo começou depois que a PM reprimiu pessoas na Avenida Santa Izabel com violência. Na Praça do Coco, quem cobrou explicações, foi recebido com bala de borracha. Em nenhum momento eles falaram no megafone para dispersarmos", disse.

Ainda segundo Mariana, a impressão foi que o evento em Barão foi usado para treinamento da PM durante manifestações na Copa do Mundo de 2014.

Percussionista do Bloco Maracatucá, Cristiane Frazato, de 25 anos, também afirmou que os policiais chegaram na surdina. "Nada justifica a PM agir da forma que agiu. Mesmo que houvesse alguma confusão por parte da população, quem estava na Praça do Coco não tinha nada a ver com aquilo", contou Cristiane.

Em reunião com integrantes do bloco e moradores do distrito na tarde desta terça-feira (4), na Moradia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ficou decidido que o Bloco Berra Vaca e o Maracatucá, que se apresentaram nesta terça, fariam uma protesto pacífico durante o desfile contra a ação da PM, com faixas e cartazes. Ainda segundo a organização da reunião, os blocos vão cobrar explicações formais da Secretaria de Cultura sobre o que ocorreu.

O secretário Ney Carrasco afirmou que a orientação para a Polícia Militar e para a Guarda Municipal (GM) era de não deixar carros de som tocando funk se aproximarem dos blocos nesta terça.

A Pasta recomendou ainda que o Bloco Berra Vaca ficasse concentrado na Praça do Coco. "A praça é um ambiente melhor para controlarmos a população em caso de confusão. É uma proteção para que for curtir o Carnaval na paz" , disse o secretário.

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