Publicado 03 de Março de 2014 - 5h00

Para muitos Carnaval é tempo de festa e curtição, para outros momento de descanso e reflexão, mas na quarta-feira todos voltam à realidade; ao mundo que nos desafia a cada minuto, que exige forças para enfrentar desafios que se apresentarão em todas suas dimensões e definições.

Volta a rotina alucinante à espera de um novo feriado, sem tempo para uma reflexão de fatos e verdades que estão muito perto de você, mas não se vê, porque ainda não sentiu.

Outro dia recebi um pai desesperado, o mesmo que há alguns meses compareceu feliz ao consultório pedindo um atestado de boas condições físicas para o filho, que iria realizar um sonho familiar, ser jogador de futebol! Um empresário acertou a ida do menino para um clube, em um pais da Europa, lá ele participaria de uma escolinha de novos atletas.

A realidade foi bem diferente do sonho, hoje o menino trabalha colhendo de uvas durante o dia e no final da tarde “joga uma bolinha” com outros meninos, que também foram com o mesmo sonho, e o contrato pré assinado não permite a volta antes do tempo determinado, as notícias são raras, e segundo um contato do empresário lá na Europa, a comunicação está difícil porque ele está rodando vários times em vários locais, para testes!

Sei também da história de uma adolescente; linda, alta, magra, olhos azuis, um princesa! Um dia recebeu um convite para ser manequim, passaria por testes em várias agências internacionais, a família sem condições de bancar, assinou o contrato com um empresário que bancaria o sonho da família. As notícias que hoje chegam é que ela para poder sobreviver está trabalhando em uma “casa de uma família”.

A problemática do tráfico humano se manifesta na exploração do trabalho escravo, na prostituição, na adoção ilegal de crianças e na venda de órgãos para o transplante. A Campanha da Fraternidade desse ano trará esse tema à tona, mostrara que dentre os meios usados para o tráfico de pessoas, o mais comum é o aliciamento.

A pessoa é abordada com uma oferta irrecusável, que lhe promete melhorar de vida. Os traficantes recrutam pessoas “para atividades como modelos, talentos para o futebol, babás, enfermeiras, garçonetes, dançarinas ou para trabalhar como cortador de cana, pedreiro, peão, carvoeiro, médico, etc. É a porta para uma nova modalidade de escravidão.

Muitas vezes governos e entidades internacionais funcionam como agentes da escravidão, não precisa ir muito longe, vide o exemplo dos pobres colegas médicos cubanos que estão vivendo essa nova modalidade de escravidão, longe de seu pais, longe de seus familiares, e ganhando somente uma pequena parte do grande montante que é enviado ao pais exportador de escravos humanos.

O tráfico humano gera uma grande renda aos traficantes, razão pela qual consegue se cercar de diversos profissionais que falsificam documentos, organizam o transporte e a hospedagem das pessoas e subornam as polícias. Se não fosse um negócio lucrativo, não teria êxito. Por isso, a CNBB afirma que “é na idolatria do dinheiro que se encontra a origem do tráfico humano”.

Nenhum ser humano pode ser submetido à exploração ou à escravidão, uma vez que são atentados contra a dignidade da pessoa humana.

Alegria de viver, que coisa mais linda, algo que nos faz bem, nos dá uma felicidade infinita. Viver em liberdade, sentindo a felicidade de estar livre para viver, faz bem à alma e ao corpo também.

Liberdade é viver com a alma liberta de preconceitos, conceitos e preceitos, afinal: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1).