Publicado 05 de Março de 2014 - 9h01

O mensalão possibilitou algumas coisas inéditas na história brasileira.

A primeira delas é que, por vez primeira, a prática comum no Legislativo de comprar e vender votos foi investigada, diagnosticada, documentada e deu origem a um processo judicial. Isto poderia ter acontecido quando da votação da possibilidade constitucional da reeleição (no governo FHC), mas não houve “vontade política”. Também poderia ter sido feita no governo Collor, mas preferiram ficar só no presidente, como comprador-mór, sem descer aos vendáveis deputados e senadores.

A segunda é que, por vez primeira, houve investigação séria e profunda dos escaninhos do poder, das formas escusas de se conseguir caixa dois, do uso do dinheiro público para fins partidários (e por que não pessoais), houve a possibilidade de defesa dentro das normas legais.

A terceira é que houve o acompanhamento maciço e massivo, com transmissão pela TV de todo o processo de julgamento e o tema foi para as ruas.

A indignação popular e o interesse em ver punidos os saqueadores do erário público deu ao julgamento do mensalão ares de seriado de TV onde todos os dias havia novos episódios.

 

Por vez primeira também, brancos e bem posicionados socialmente foram denunciados por um ministro negro, que ascendeu da pobreza à mais alta corte. Também viram suas ordens de prisão assinadas por um ministro negro, invertendo-se os papéis dos tempos de escravatura.

 

No desfilar de argumentos e defesas, ficou claro que o PT tinha instrumentalizado um ministro, o Toffoli, quem, sem o mínimo de credenciais para estar na mais alta corte, foi a ela indicado pelo Lula, pelo simples fato de que fora advogado do PT. Ele, em uma lealdade canina, votou sempre a favor dos réus, negou todas as acusações. Outro que atuou em agradecimento ao PT foi o Lewandovsky, quem também deve sua nomeação a algumas coisas meio obscuras na sua biografia, a julgar pelas inúmeras denúncias que pululam em sites sérios da internet, inclusive o de sumir com documentos no TSE para favorecer o PT.

 

Por vez primeira também, o partido da trambicagem nomeia a dedo dois ministros ao Supremo, com o intuito claro de reformar sentenças prolatadas em situação que era menos favorável aos réus. Na revisão destas penas, coube ao novel ministro Teori a indelicadeza e a falta de ética de criticar o que os colegas haviam feito, dizendo que a dosimetria foi exagerada. Não contente, reformou o entendimento do conceito de formação de quadrilha, no que foi seguido pelo também ministro indicado para livrar a cara dos réus, o Barroso. Somados ao votos dos demais, deu seis votos pela absolvição e pelo novo entendimento.

 

Fica para mim que o crime de quadrilha é só para ladrão pé de chinelo. Se for do PT, vestir gravata e se tiver mandato, tem advogado de defesa travestido de ministro. É a maioria de circunstância que o ministro Barbosa alertou no seu discurso. Eu, muitos outros e a democracia estamos envergonhados com esses fatos!