Publicado 01 de Março de 2014 - 22h53

Por Carlo Carcani

O jornalista Carlo Carcani Filho

Ércia Dezonne/AAN

O jornalista Carlo Carcani Filho

O Campeonato Espanhol sofre demais com a sua desproporcional divisão das cotas de TV. Barcelona e Real Madrid, gigantes por natureza, ficam ainda mais fortes porque recebem, juntos, mais da metade do bolo. E o que sobra é dividido entre os outros 18 coadjuvantes. Esse desequilíbrio, geralmente, proporciona campeonatos com números estranhos.

Na temporada passada, por exemplo, o campeão Barcelona fez 100 pontos, 15 a mais do que o vice Real Madrid. E o terceiro colocado fez 76, dez a mais do que o quarto. Notem que a diferença do campeão para o quarto colocado foi de inacreditáveis 34 pontos. É muita coisa.

No campeonato de 2011/12, o cenário foi bem parecido. Real Madrid campeão com 100, seguido por Barcelona, claro, com 91, Valencia (61) e Málaga (58). É clara a divisão entre os dois grandes e o resto. Na prática, são duas competições diferentes.

O campeonato deste ano, porém, apresenta uma “novidade”. E uma boa novidade, pelo menos no que diz respeito à competitividade de La Liga. O Atlético de Madrid conseguiu, até esta 25ª rodada, caminhar com passos de gigante. Esteve, durante todo esse período, perseguindo o líder Barcelona. Agora, em uma fase de oscilação catalã, quem está na ponta é o Real Madrid. Mas o Atlético ainda está por perto.

Neste domingo, Madri vai saber se ainda resta fôlego ao time de Miranda, David Villa e Diego Costa. O clássico entre Atlético e Real vai determinar quantos candidatos ao título teremos nas rodadas finais. A disputa ficará restrita aos dois de sempre? Ou o Atlético, jogando em casa, terá forças para se manter no topo, incomodando os milionários favoritos?

Disputar o dérbi de Madrid no Vicente Calderon não é, necessariamente, uma vantagem para o Atlético, incapaz de somar um ponto sequer nos últimos seis clássicos disputados em casa. O Real venceu as seis partidas, disputadas entre novembro de 2009 e o dia 11 do mês passado, marcando 14 gols e sofrendo apenas cinco. Outro retrospecto recente que sinaliza a força do time de Cristiano Ronaldo foi o recente duelo pela Copa do Rei. No mata-mata, deu Real fácil, com 5 x 0 no placar agregado.

Em virtude da brutal diferença de orçamentos, ninguém estranha essa superioridade do lado branco. O que é de se estranhar é a presença dos colchoneros na vice-liderança do Espanhol, com 60 pontos, apenas três a menos do que o líder Real.

Neste domingo, no 264º dérbi de Madrid, essa diferença pode ser eliminada, mantida ou dobrada. Nos dois primeiros casos, o Atlético seguirá no páreo, incomodando os favoritos com seus inesperados e insistentes passos de gigante. Mas se o Real atropelar o rival como tem feito com todos que têm cruzado seu caminho (o Schalke 04 que o diga), então, a missão de enfrentá-lo na disputa pelo título espanhol ficará nas mãos do gigante de sempre.

Escrito por:

Carlo Carcani