Publicado 05 de Março de 2014 - 18h01

Sanfoneiro João Carlos Marcolino e as integrantes do coral do Sesc: prazer de cantar e viver com amigos

Del Rodrigues/ AAN

Sanfoneiro João Carlos Marcolino e as integrantes do coral do Sesc: prazer de cantar e viver com amigos

“Todo idoso tem direito a educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade". Esse é o texto do artigo 20 do Estatuto do Idoso. É possível observar que muitos deles, aos 60, 70 e até 90 anos, fazem valer esse direito. A diversão, para muitos, é a receita para viver mais e melhor.

Esse é o caso de Célia Regina Signorelli, 69 anos. Para ela, o lazer faz parte do dia a dia. "Sou sócia do Clube Cristóvão Colombo. Frequento as piscinas, o sambão, os bailes, o Carnaval", conta ela. Onde tem música, lá está Célia: bar Rio Minas, na Rua do Porto, e o tradicional Quatizinho, famoso pela sua seresta, estão na lista.

Se ainda for pouco, a casa espaçosa de Célia é lugar para reunir amigos, cozinhar e jogar conversa fora. Quando se trata de viagens, seu destino preferido são as praias do litoral norte e sua companhia é Frederico, namorado da juventude que reencontrou depois de ficar viúva, há seis anos.

Cansado de tanto agito? Célia, não. No sábado, 22, ela desfilou como porta-bandeiras na Banda da Sapucaia, que ajudou a criar, há 18 anos. Só está chateada porque sua escola de samba, a Zoon Zoon, não desfila há cinco anos. Com tanto envolvimento com o Carnaval, ela é quase um sinônimo da folia. "Eu tenho orgulho de ser conhecida no meio carnavalesco. Nunca fui a um Carnaval sem fantasia", garante ela. "Não sirvo para ficar sozinha. A diversão faz bem para a saúde, para o ego. A idade você tem na cabeça. Tenho uma cabeça sempre jovem. Os amigos dos meus filhos me amam de paixão", orgulha-se.

Tempo

O coral é uma das diversões para um grupo de idosos que frequenta o Sesc Piracicaba às quintas à tarde. Sentadas em cadeiras, elas aguardam ansiosas a chegada da regente Ana Foizer. "Divirto-me com pouca coisa", avisa Letícia de Souza Tozzi, 84. "Porque meu nome quer dizer alegria", diz ela, que também ama ficar com as netinhas e com o marido, que tem 89 anos. "O melhor da vida é a família", garante.

A maior parte das mulheres que frequentam o grupo da Terceira Idade do Sesc está envolvida também com grupos de seus bairros. Entre as atividades que desenvolvem estão a dança, cursos de artesanato, cursos de costura, pintura. Iolanda Buzzerio, 76, tem como atividade preferida a dança. "Adoro bolero. Só não danço puladinho porque meu joelho não deixa", diz em meio a gargalhadas.

"É bem melhor envelhecer em grupo. Se você não participa de nada, fica estressada, isolada. Os filhos não têm tempo de conversar com a gente. Esses grupos (da Terceira Idade) foram muito bem pensados", acredita a paraibana Terezinha Diniz, 75, que vive há quatro anos em Piracicaba.

Sorrisos

E a alegria delas é contagiante. Luzia Araújo Hotel, 90, até ganhou um apelido. Aliás, dois. No Lar dos Velhinhos, onde mora, ela é a Cantora. Já no Sesc, é chamada de Sorriso. Difícil conversar com ela e não cair na risada. "Mas qual o motivo de tanta alegria, dona Luzia?". "Não sei explicar essa alegria. Só que é muito bom viver", resume.

Sidney Militão, 64, tem atividades de segunda a quinta-feira. Faz curso de costura, pintura, modelagem, participa do Programa da Terceira Idade do Sesc e do coral e ainda do Música de Vinil, do Lar dos Velhinhos. Para tudo isso, arrasta o marido João Carlos Marcolino, 68, sanfoneiro do coral do Sesc na última quinta-feira. "Depois que comecei a participar me revitalizei, me sinto muito bem. Me sinto útil. Tenho 64 anos, mas minha cabeça é de 30", comemora.

Segundo a regente Ana Foizer, a proposta do coral é oferecer aos idosos uma atividade social, para que saiam de casa, que tenham prazer. Além de cantar, eles trabalham a expressão corporal, respiração, afinação, reflexão e até sustentabilidade. "Tem uma música que eu passo para eles, que se chama Sapato Velho. Eles não gostam muito, mas mostro para eles que é para reflexão, que o velho tem sua função, não é inútil", exemplifica.

Cultura

O jornalista Nelson Bertolini, 76, não perde uma peça ou um musical que seja sucesso em São Paulo. Bertolini organiza excursões para os espetáculos desde 1999 e faz valer o direito de ter o desconto de 50% nos ingressos, como manda o Estatuto do Idoso. Segundo ele, 80% das pessoas têm entre 70 e 80 anos de idade. "O primeiro espetáculo foi O Mágico de Oz, depois O Fantasma da Ópera. Vamos a peças de teatro também", conta.

Para ele, esse universo é mágico, com seus recursos cênicos, música, vestuário e suas histórias interessantes. "Quando acabava o musical Mamma Mia! as pessoas saíam cantando e dançando a última música. Quando você vai a um espetáculo você esquece das dificuldades. Esse lazer anestesia todas as preocupações e as pessoas saem alegres, eufóricas", garante Bertolini.

Na cidade

A Selam (Secretaria de Esportes, Lazer e Atividades Motoras)tem projetos voltados para a Terceira Idade, relacionados ao esporte e também ao lazer, em modalidades como atletismo, bocha, buraco, damas, dança de salão, truco, entre outras. O Pam (Programa de Atividades Motoras)oferece aulas nas academias ao ar livre, alongamento, dança circular, pilates e outras. O contato com a Selam para mais informações pode ser feito pelo site - selam.piracicaba.sp.gov.br/site/- ou pelos telefones (19) 3403-1266 e 3403-1267.