Publicado 02 de Março de 2014 - 9h15

Por France Press

Os Estados Unidos exigiram neste sábado o fim imediato da intervenção da Rússia na Ucrânia durante uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, onde Kiev pediu por ações para pôr fim à crise.

Depois que o parlamento russo autorizou o envio de tropas à Ucrânia e que Kiev alertou que inúmeros soldados russos chegavam à península autônoma da Crimeia, o Conselho de Segurança de 15 membros se reuniu de forma emergencial em Nova York.

A embaixadora norte-americana na ONU, Samantha Power, classificou a decisão do Parlamento russo de "perigosa e desestabilizadora" e acusou Moscou de atuar sem base legal.

"Viola o compromisso da Rússia de proteger a soberania, integridade territorial e independência da Ucrânia", afirmou. "É tempo de cessar a intervenção russa na Ucrânia. Os militares russos devem se retirar", alertou Power.

A diplomata pediu que sejam mobilizados observadores da ONU e da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e endossou uma missão de mediação internacional para a Crimeia.

Os observadores podem "oferecer transparência sobre o movimento e atividades das forças militares e paramilitares na região e diminuir as tensões entre diferentes grupos", disse Power.

"Nossas principais preocupações são pôr fim ao confronto e encontrar uma solução que permita ao povo ucraniano determinar seu próprio destino, seu próprio governo e seu próprio futuro", destacou.

- Emotivo pedido ucraniano -

A sessão aberta no Conselho de Segurança começou com um emotivo pedido ucraniano.

"Pedimos ao Conselho de Segurança agora para fazer todo o possível para deter a agressão da Federação Russa na Ucrânia. Ainda há uma chance", disse o embaixador ucraniano, Yuriy Sergeyev.

As tropas russas entraram em território ucraniano ilegalmente como um "ato de agressão contra o estado" e "o número deles vem aumentando a cada hora", acrescentou.

Sergeyev também pediu o envio de observadores internacionais e disse que a Rússia "violou brutalmente os princípios básicos da Carta das Nações Unidas".

"Pedimos a todos os estados membros das Nações Unidas para demonstrar solidariedade com a nação ucraniana para proteger a soberania e a integridade territorial do país", acrescentou Sergeyev.

Autoridades em Kiev acusam a Rússia de ter enviado 6.000 soldados adicionais à Crimeia.

Dezenas de homens armados pró-russos com traje de combate patrulham os arredores de edifícios oficiais na capital da Crimeia, Simferopol, onde também tomaram o controle do parlamento, aeroportos e uma base militar.

O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu neste sábado a imediata restauração da calma e do diálogo para resolver a crise na Ucrânia e expressou suas preocupações diretamente ao presidente russo, Vladimir Putin, por telefone.

"É importante lembrar a missão dessa organização, de buscar sempre soluções pacíficas às disputas", disse ao Conselho de Segurança o secretário geral adjunto da ONU, Jan Eliason.

"É o momento de prevalecer o sangue frio", disse.

O embaixador russo criticou o apoio ocidental aos protestos que levaram à saída do presidente ucraniano Viktor Yanukovytch e afirmou que Putin ainda não tomou uma decisão quanto ao uso de tropas.

"Repito, como Eliason disse corretamente, precisamos manter o sangue fria", disse o embaixador Vitali Churkin.

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