Publicado 01 de Março de 2014 - 16h50

Por France Press

Os incidentes desta sexta-feira reacenderam uma tensão que havia começado a diminuir

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Os incidentes desta sexta-feira reacenderam uma tensão que havia começado a diminuir

Opositores radicais convocaram, neste sábado, novos protestos "contra a tortura e a repressão" na Venezuela, depois que a polícia de choque prendeu pelo menos 41 pessoas, entre eles correspondentes internacionais.

A televisão estatal venezuelana acusa os estrangeiros presos de "terrorismo internacional".

Manifestantes opositores ao governo de Nicolás Maduro e a Guarda Nacional se enfrentaram na noite desta sexta-feira em Caracas, com um saldo de mais de 40 presos - informou o Foro Penal Venezuelano, que antes havia acusado a polícia de violar os direitos humanos.

Líderes da ala radical opositora, entre eles a deputada Maria Machado e o partido Voluntad Popular - cujo líder Leopoldo López estpa preso - convocaram a marcha em toda a Venezuela contra "a repressão, tortura e perseguição".

Os incidentes desta sexta-feira reacenderam uma tensão que havia começado a diminuir - por causa dos feriados de carnaval - após 24 dias de intensos protestos, com um saldo de 18 mortos, 260 feridos e cerca de mil presos.

O presidente Nicolás Maduro chamou as manifestações iniciadas por estudantes no último dia 4 de tentativa de "golpe de estado".

No reduto opositor de Altamira, nesta sexta-feira,, as tropas de choque atacaram com jatos d'água e bombas gás lacrimogêneo os manifestantes. Em sua maioria encapuzados, os opositores responderam com bombas - constatou uma equipe da AFP.

A televisão estatal, sem citar fontes, disse que uma "operação especial da Guarda Nacional em Altamira culminou com a prisão de 41 manifestantes, dentre eles oito estrangeiros acusados de terrorismo internacional".

As autoridades informaram que entre os detidos está a fotojornalista italiana Francesca Commisari, colaboradora do jornal venezuelano El Nacional.

O Sindicato Nacional de Trabalhadores de Impresa denunciou que, além dos 41 detidos, também foram presos e soltos na mesma noite um correspondente do The Miami Herald e uma equipe da agência de notícias The Associated Press.

Pouco depois, correspondentes internacionais receberam por via eletrônica um arquivo elaborado pelo ministério da Informação e Comunicação, chamada "Venezuela sob ataque mediático", que inclui fotografias e matérias classificadas pelo governo como "mentiras ligadas ao golpe suave".

Afundada numa inflação que chega a 56% e em altíssimas taxas de homicídio, a Venezuela é o país com as maiores reservas de petróleo do mundo. Há meses a população sofre com a falta de produtos básicos, como papel higiênico e leite.

Após três semanas de intensos protestos contra o governo de Nicolás Maduro, 18 pessoas morreram e milhares ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e policiais.

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