Publicado 01 de Março de 2014 - 16h47

Forças Armadas entraram em estão de alerta

AFP

Forças Armadas entraram em estão de alerta

O senado russo aprovou neste sábado, por unanimidade, o uso de tropas russas em território ucraniano, como havia pedido o presidente, Vladimir Putin. A ´última informação de Kiev é que as Forças Armadas da Ucrânia estão em estado de alerta.

Reunido em sessão extraordinária, o Conselho da Federação, câmara alta do parlamento, votou pelo uso das "Forças Armadas russas em território ucraniano até que se normalize a situação política naquele país".

O presidente russo, no entanto, ainda não tomou nenhuma decisão sobre o uso do Exército na Ucrânia, segundo seu porta-voz, Dmitri Peskov.

A aprovação do uso das forças russas na Ucrânia "representa o ponto de vista do Conselho da Federação (Senado). É o presidente que toma a decisão. Até o momento, não há uma decisão neste sentido", comentou o porta-voz.

"Devido à situação extraordinária na Ucrânia e à ameaça à vida dos cidadãos russos, de nossos compatriotas", Putin havia pedido ao Senado que autorizasse o uso das Forças Armadas no território da Ucrânia até a normalização da situação política, informou o Kremlin em um comunicado.

A fórmula usada sugere que a Rússia poderia usar tanto a frota no Mar Negro, que já se encontra na Crimeia devido a um acordo bilateral entre Moscou e Kiev, quanto outras tropas russas.

O senado russo também pediu a Putin que convoque para consultas o embaixador da Rússia nos Estados Unidos, por considerar que o presidente americano, Barack Obama, havia cruzado "a linha vermelha" e "humilhado o povo russo", indicou o vice-presidente da câmara alta, Yuri Vorobev.

Obama declarou ontem que qualquer intervenção militar na Ucrânia teria "um custo".

 

Ameaça

 

O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, disse neste sábado que a decisão do Parlamento russo de autorizar "uma ação militar em território ucraniano", constitui "uma ameaça potencialmente grave para a soberania" do país.

"Estou muito preocupado com a escalada das tensões na Ucrânia e a decisão do parlamento russo de autorizar uma ação militar no território ucraniano contra a vontade do governo ucraniano", disse William Hague em um comunicado.

"Esta ação é uma ameaça potencialmente grave para a soberania, a independência e a integridade territorial da Ucrânia", sustentou.

"Condenamos qualquer ato de agressão contra a Ucrânia", acrescentou.

"A demanda do presidente Putin ao Conselho da Federação" de obter o recurso do exército russo na Ucrânia levou Londres a "convocar o embaixador da Rússia para expressar nossa profunda preocupação", informou.

William Hague falou no sábado com seu homólogo russo, Serguei Lavrov, "para pedir medidas com o fim de acalmar esta perigosa situação", disse.

"Falei também esta tarde com o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, e entramos em acordo sobre a necessidade de uma ação diplomática internacional para resolver a crise".

Hague viajará domingo a Kiev para se reunir com o novo governo ucraniano.