Publicado 06 de Março de 2014 - 5h00

A violência é sempre uma manifestação de incivilidade, seja pela forma agressiva adotada pela sociedade para se relacionar, até os ataques explícitos que ocorrem em crimes e conflitos. O desajuste social pode se medir pela intensidade como a violência se manifesta e como o problema é enfrentado. O desrespeito à vida, à propriedade e à liberdade é o tom que marca o quanto estão desgastadas as relações pessoais e o quanto são frágeis as instituições morais e legais.

Tem acontecido com frequência no Brasil um clima de instabilidade sempre que acontecem aglomerações da população. Seja nos estádios de futebol, nas baladas, nas manifestações de protesto, parece sempre haver um pretexto para a agressão e violência, transformando os eventos em dramas e tragédias que se sucedem sem que se consiga uma explicação para tanto destempero e atos incivilizados.

 

Neste final de semana, o que parecia ser uma festa exemplar de Carnaval acabou em atos de vandalismo, crimes e uma ação da Polícia Militar que constrangeu quem participava dos blocos no distrito de Barão Geraldo, em Campinas. Quase ao encerramento dos desfiles, um bando de vândalos atravessou uma avenida depredando e desencadeando uma sucessão de eventos levou a uma intervenção policial com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, resultando na agressão de foliões, depredação de lojas e imóveis, colocando um ponto final melancólico no que deveria ser apenas uma festa popular (Correio Popular, 5/3, A4 e A5).

 

Ao final, deixaram um rastro de destruição, de frustração e revolta contra o que já se tem como a chaga do protovandalismo disfarçado de rebeldia social ou política. Insuflado por adolescentes marginais, estes grupos surgem sempre para espalhar o terror e a anarquia, interrompendo toda manifestação grupal e civilizada. São oportunistas que parece sentirem prazer em estragar a festa e semear seu ódio e revolta contra tudo. É preciso dar um basta nesta marginália sem escrúpulos, que usa a violência para ameaçar as pessoas.

 

Também ficou evidenciado que o aparato de segurança não está devidamente preparado para agir em situações de tumulto como essa. O que deveria ser a repressão dos vândalos baderneiros se estendeu aos foliões que estavam em uma praça e que foram afastados com truculência e bombas de gás. Faltou o bom senso para distinguir o que era um fator de risco. No açodamento de lidar com a situação, agiu despoticamente contra quem deveria ser protegido. Um erro que não contribui para resgatar a confiança da sociedade na segurança pública.