Publicado 05 de Março de 2014 - 20h54

Estudantes estão acampados desde o dia do fechamento da rádio: protesto

Edu Fortes/AAN

Estudantes estão acampados desde o dia do fechamento da rádio: protesto

Dez dias depois de invadir a antiga caixa d'água do Ciclo Básico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde funciona a Rádio Muda, para retomar as transmissões clandestinas da emissora, o grupo de estudantes continua acampado no local sem ser incomodado. Lacrada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no último dia 23, a rádio foi reocupada no dia seguinte pelos alunos, que se revezam dormindo em barracas para impedirem que o fechamento ocorra novamente.

O estudante de ciências sociais que retirou a câmera de um cinegrafista da EPTV Campinas  durante a invasão, Marcelo Lothar Frankland Sawaya, conhecido como Marcelo Tatu, disse que os estudantes tentaram a concessão para funcionar legalmente, mas não concordam com a estrutura proposta pela Anatel. "Temos um modelo de autogestão, horizontal, onde não há presidente, tesoureiro ou outros cargos. Lutamos por um novo modelo de comunicação, de espectro aberto", contou. O estudante disse ainda sofrer perseguição dos meios de comunicação regionais. "Eu devolvi a câmera logo em seguida. Pressionaram a Unicamp para caçar meu nome, meu curso, e estamparam em todos os lugares", desabafou.

 

Acampamento

Sawaya afirmou que, diariamente, pelo menos 300 estudantes passam pelo acampamento montado próximo à caixa d'água. O estudante disse também que os alunos resistirão a uma futura ação da Anatel e do MPF. Um abaixo-assinado virtual foi lançado para "que José Jorge Tadeu, reitor na Unicamp, pare de perseguir a Rádio Muda". A página tinha 289 assinaturas até o o final da tarde desta quarta-feira (5). O objetivo é conseguir 5 mil.

A Unicamp foi procurada para comentar o assunto, mas a equipe de comunicação não trabalhou ontem. O MPF também não teve expediente. Em nota, a Antel disse que o caso é tratado pelo MPF, "que possui inquérito civil público, desde janeiro de 2013, com o objetivo de dar maior efetividade à repressão das atividades ilegais da Rádio Muda."

Inquérito

As buscas e apreensões de equipamentos da rádio foram realizadas em cumprimento à decisão judicial proferida nos autos de uma ação civil pública movida pela Anatel e que tramita em segredo de justiça na 6ª Vara Federal de Campinas. Um inquérito na Polícia Federal para apurar eventual prática de crimes contra o Código Brasileiro de Telecomunicações foi instaurado.

Em novembro do ano passado, José Jorge Tadeu disse que ocorreram diversas tentativas da reitoria para legalizar a Rádio Muda, que já tem 30 anos. Ele afirmou que a universidade ofereceu aos alunos uma frequência registrada e legalizada para que a rádio funcionasse sem risco de ferir a lei que já provocou o seu fechamento por diversas vezes.

 

A programação também seria de responsabilidade total dos alunos, para garantir a autonomia que a Muda sempre teve em sua história. Mas, em nome da "liberdade das comunicações" , os estudantes afirmam que, aceitar a proposta, seria o mesmo que se entregar ao sistema e trair o conceito básico que faz com que a estação exista há três décadas.