Publicado 05 de Março de 2014 - 19h58

Pelo menos cinco comércios, entre eles um supermercado, tiveram prejuízos

Camila Ferreira/AAN

Pelo menos cinco comércios, entre eles um supermercado, tiveram prejuízos

O major Euclides Vieira, comandante do responsável pelo 8º Batalhão da Polícia Militar, que atua na a área de Barão Geraldo, afirmou nesta quarta-feia (5) que a intervenção da PM no distrito na madrugada de terça-feira (4) de Carnaval foi legítima e que a Tropa de Choque agiu para desencorajar e dispersar multidões. O intuito, segundo ele, não seria de confronto.

No entanto, a ação da PM gerou muitos questionamentos, e há relatos de enfrentamento desproporcional. Segundo moradores, o vandalismo no distrito ocorreu após o confronto com a Tropa de Choque da PM. Algumas pessoas ficaram feridas devido ao disparo de balas de borracha e do uso de gás lacrimogêneo.

 

Acionamento

O major afirmou que a Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) foi acionada para conter os atos de vandalismo e que a intervenção da polícia ocorreu apenas após o início do confronto entre Guarda Municipal, agentes de trânsito e pessoas estacionadas em locais proibidos e com som alto. Criada no início do ano, o Baep é uma tropa de elite, que funciona nos moldes da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).

 

Vieira afirmou que a tropa é formada há muitos anos e não passou por "adequação" para lidar com situações de protestos ou atos de vandalismo. "É um batalhão de policiais treinados há muito tempo. Não foi feito a toque de caixa", afirmou.

 

Intervenção

Segundo a versão da PM, a Guarda iniciou a intervenção e utilizou munição química e armas não letais, mas ação não teria sido suficiente. Em nota oficial, a polícia informou que após o confronto com a GM, algumas pessoas passaram a cometer atos de vandalismo em agências bancárias e estabelecimentos comerciais, na Avenida Santa Isabel.

O supermercado Pão de Açúcar teria sido invadido por cerca de 20 a 30 pessoas que saquearam o estabelecimento. "O primeiro foco foi entre a GM e a Emdec, que tentavam conter atos de vandalismo, mas não deram conta", afirmou Vieira. A GM informou ontem, por meio de assessoria de imprensa, que "prestou apoio à Emdec e a Policia Militar" na ocorrência.

 

Área

 

Após o confronto, os vândalos teriam se deslocado até as imediações da praça do Coco, cerca de 1,5 km de distância do ponto inicial. No local, por volta de 2h, havia concentração de foliões do Bloco do Souza. Segundo a polícia, a multidão "novamente hostilizou os policiais militares com arremessos de objetos, havendo a necessidade de nova intervenção para uma dispersão final". A PM admitiu na terça-feira que usou balas de borracha e gás lacrimogêneo.

Algumas testemunhas do enfrentamento na Praça do Coco afirmaram que a polícia chegou com as sirenes desligadas, atrás da roda de samba, que estava voltada à praça, com cerca de 100 pessoas, entre elas mulheres grávidas e crianças. O comandante não confirmou a ação e afirmou que a polícia não tem a intenção de surpreender ninguém. "A Tropa de Choque é uma tropa visível, ostensiva, com sinais luminosos e a presença é para desencorajar e dispersar multidões", afirmou.

 

Apoio

Em nota oficial, a GM informou que apoiou a PM durante a intervenção, e que "auxiliou na dispersão dos vândalos que, durante o tumulto, inclusive, acabaram por depredar diversos comércios da região". A nota informa que a Guarda agiu dentro dos parâmetros legais de uso progressivo da força com o objetivo de manter a ordem e a segurança dos participantes da festa.

O Bloco do Souza se manifestou em nota oficial, por meio de uma rede social, e informou que a força policial (Guarda Municipal e Policia Militar) não travou diálogo com os organizadores antes da intervenção. Os organizadores repudiaram a ação da polícia e cobram explicações da Prefeitura e Polícia Militar.