Publicado 05 de Março de 2014 - 18h59

Por Maria Teresa Costa

Apesar de não recuperar o Sistema Cantareira, nível do Rio Atibaia, em Campinas, sobe porque chuva atinge os afluentes

Elcio Alves/ AAN

Apesar de não recuperar o Sistema Cantareira, nível do Rio Atibaia, em Campinas, sobe porque chuva atinge os afluentes

Apesar de ter chovido nos primeiros cinco dias de março metade do que choveu em todo o mês de fevereiro, o nível das represas do Sistema Cantareira continua caindo. As barragens do chamado Sistema Equivalente, formadas pelos reservatórios Jaguari, Cachoeira e Atibainha, e que abastecem a região de Campinas, operaram nesta quarta-feira (5) com 15,79% da capacidade. Nem mesmo o fato de a Grande São Paulo ter reduzido o volume de retirada de água do Cantareira aliviou a situação.

Estão sendo esperadas para esta quinta-feira (6) novas regras operativas emergenciais para lidar com a maior crise hídrica da história, enfrentada pelo Sistema Cantareira. Entre as medidas que podem ser anunciadas estão a limitação em 24,8 m3/s de retirada de água do sistema para a Grande São Paulo, e também a suspensão, por tempo indeterminado, de novas autorizações para uso de águas superficiais e subterrâneas nas Bacias Piracicaba-Capivari-Jundiaí (PCJ).

 

Sem recomposição

As chuvas de março no Sistema Cantareira ainda não se mostraram eficientes para dar início a recomposição do volume útil das barragens. Nesses primeiros cinco dias choveu 44,7 mm, enquanto nos 28 dias de fevereiro caíram 73 mm.

O maior problema do sistema é que o volume de água que está entrando nos reservatórios, vindo das cabeceiras dos rios que nascem em Minas Gerais, continua muito baixo.

 

Nesta quarta-feira estava entrando 11,4 m3/s, o equivalente a apenas 19% da média histórica, mas estavam saindo 4 m3/s para a região de Campinas e 19,61 m3/s para a Grande São Paulo. Assim, o volume útil do sistema se resumiu ontem a 153,7 milhões de metros cúbicos.

 

A redução da vazão do Sistema Cantareira para a Grande São Paulo, que nesdta quarta registrou 19,6 m3/s, ocorreu, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) porque houve uma redução de consumo de água durante o feriado prolongado de Carnaval.

Rio Atibaia

As chuvas estão sendo benéficas para o Rio Atibaia, que abastece 95% de Campinas. Segundo boletim da Defesa Civil, nos últimos três dias choveu 44,8 mm em Campinas. De acordo com a rede telemétrica do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), o rio começou o dia com uma vazão de cerca de 14 m3/s e oscilou durante o dia entre esse valor e 10 m3/s.

 

Essa vazão ocorre porque, além dos 3 m3/s que estão sendo liberados do Cantareira para o Atibaia, o rio vai recebendo uma série de afluentes no percurso, aumentando o volume de água que passa por Campinas.

 

Rio Piracicaba

 

O mesmo ocorre com o Rio Piracicaba, que ontem apresentou vazão média de 85 m3/s - ele é formado pela junção dos rios Atibaia, Jaguari e Camanducaia e seus afluentes. As chuvas, no entanto, ainda estão longe de significar a recomposição da vazão dos rios, porque estão ocorrendo em volume bem menor que o esperado para o Verão. Em 2010, quando a Rua do Porto sofreu forte enchente, no dia 5 de março o rio estava com uma vazão de 240 m3/s. Desde então, a cada ano, o volume de água tem sido menor.

 

No caso do Rio Atibaia, há quatro principais afluentes: o Ribeirão Cachoeira, do Rio Atibainha, Ribeirão Pinheiro e o Ribeirão Anhumas.

Escrito por:

Maria Teresa Costa