Publicado 05 de Março de 2014 - 14h05

Por Rogério Verzignasse

Carnaval no distrito de Barão Geraldo terminou em pancadaria e repressão da Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) na madrugada de terça (4)

Edu Fortes/AAN

Carnaval no distrito de Barão Geraldo terminou em pancadaria e repressão da Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) na madrugada de terça (4)

A Quarta-feira de Cinzas amanheceu triste, melancólica, para pessoas que moram ou trabalham na região central do distrito de Barão Geraldo. E o clima não tinha nada a ver com o fim da folia. O Carnaval no distrito de Campinas terminou com muita confusão, balas de borracha, gás e a intervenção da Tropa de Choque da Polícia Militar na madrugada de terça-feira (4). Imagens de foliões feridos com balas de borracha foram divulgadas pela rede social.

 

A população passou a manhã contabilizando prejuízos e fazendo reparos emergenciais em portas e vidraças arrebentadas durante o tumulto generalizado da madrugada anterior, quando policiais reprimiram um grupo de supostos desordeiros que se concentrava nas imediações da Banca Central.

A reportagem do Correio percorreu as ruas do distrito pela manhã, e ouviu as mesmas reclamações em cada esquina. O Poder Público falhou na tentativa de evitar a bandalheira provocada por tribos urbanas que chegam da cidade toda e - sem ligação alguma com os blocos carnavalescos - tomam as ruas e calçadas e promovem arruaças, madrugada adentro.

Jairo Rufino, gerente de uma farmácia de manipulação na Avenida Santa Isabel, manteve o estabelecimento fechado durante toda a manhã. Os vândalos, diz, arrebentaram a pancadas a porta de aço de entrada, e só não invadiram o imóvel porque não quiseram. "O prazer estava só em destruir" , disse o gerente, que improvisou folhas e zinco no lugar na porta avariada. Conformado, ele disse que o prejuízo podia ser ainda maior. "Como todo Carnaval acontece a bagunça, a gente toma o cuidado de instalar tapumes de proteção nas vidraças" , falou.

Mas os prejudicados não foram só os comerciantes. Antigos moradores também tiveram suas casas depredadas. Uma moradora da Ria Benedito Alves Aranha - que não se identifica com medo de represálias - conta que precisou passar três noites em um hotel com a mãe, de quase 80 anos, porque o imóvel tremia com o barulho ensurdecedor dos "carros tunados" do pancadão. Quando ela voltou, encontrou o vidro estilhaçado e a porta depredada. A senhora conta que vai acionar a Administração municipal na Justiça e pedir indenização pelos prejuízos.

O Caso

 

Após o desfile de blocos, o Carnaval no distrito de Barão Geraldo, onde fica a Unicamp, terminou em tumulto com a Polícia Militar (PM) e com lojas depredadas. Na confusão, agências bancárias da Avenida Santa Izabel tiveram também portas e janelas danificadas. Algumas pessoas também ficaram feridas por causa das balas de borracha e do gás lacrimogêneo usados pela polícia.

 

 

Segundo testemunhas que estavam na Praça do Coco, depois da apresentação dos blocos, parte do público participava de uma roda de samba. O grupo foi pego de surpresa com a ação dos policiais militares, que tentavam reprimir suspeitos da depredação na Avenida Santa Izabel, usando bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

A ação resultou em alguns feridos por bala de borracha. Outros passaram mal por conta do gás. Um guarda municipal foi atingido na cabeça por uma pedra. De acordo com relatos de pessoas que estavam na praça, houve grande movimentação dos policiais e, logo em seguida, o estampido, provavelmente de bombas ou de balas de borracha.

Embora seis suspeitos de participação nas depredações tenham sido detidos e liberados após terem sido ouvidos, a preocupação de quem participava da festa na praça foi a intempestividade dos policiais. "Foi assustador. Não entendíamos o que estava acontecendo. Não vi, mas senti muito bem quando uma bomba estourou ao meu lado e me deixou atônita", disse a jornalista Regina Pitta, que estava no local.

O comando da Polícia Militar disse estar averiguando os fatos. Durante a tarde, representantes do Berra Vaca, tradicional bloco do distrito, se reuniram com autoridades do município, para discutir a segurança do desfile do bloco na noite desta terça.

 

Com Agência Estado

 

 

Veja também

Escrito por:

Rogério Verzignasse