Publicado 03 de Março de 2014 - 19h05

Por Adriana Leite

Taxista José Luiz Soligo Junior é um dos poucos que sabe falar inglês

Janaína Maciel/AAN

Taxista José Luiz Soligo Junior é um dos poucos que sabe falar inglês

 A 100 dias da Copa do Mundo, Campinas corre com os preparativos para recepcionar os turistas de lazer. Forte no turismo de negócios, o município agora precisa se ajustar às necessidades de quem vem a passeio.

 

Setores econômicos e governo buscam soluções rápidas para superar os desafios impostos pelo Mundial. Um batalhão de profissionais, como agentes de trânsito e garçons, recebe aulas de inglês.

 

A Prefeitura trabalha em novos folhetos de informações, com voluntários, e também em tecnologias que possam ajudar o viajante.

Especialistas afirmam que foi muito importante para a cidade a hospedagem de duas seleções (Portugal e Nigéria).

 

Porém, a estrutura ainda é deficitária para o atendimento da demanda dos turistas de lazer. Poucas placas de sinalização são bilÍngues.

 

Não há muitas opções de entretenimento e cultura, como museus e casas de espetáculos. O transporte, assim como acontece em todo o País, ainda deixa a desejar perto da qualidade de outros países.

 

Os especialistas vêm ainda problemas na área de telecomunicações. A falta de uma maior articulação para “vender” a região e suas alternativas de passeio é outra falha apontada por profissionais que atuam no setor de turismo.

Mas há muitos pontos positivos em favor da cidade, conforme os especialistas. O empenho em colocar Campinas em uma posição de destaque, mesmo não sendo uma cidade-sede, é relevante para projetar a imagem do município fora do País.

 

A estrutura de atendimento nos hotéis e no polo gastronômico também é um fator que conta pontos para Campinas.

 

 

 

 

 

Motoristas de táxi sem saber inglês falam do despreparo para receber turistas na copa de 2014.

Créditos: Janaína Maciel/ AAN

 

 

 

 

O Aeroporto Internacional de Viracopos é o principal vetor de atração de turistas e investimentos no período da Copa.

Entretanto, mesmo o terminal corre contra o tempo para atender à demanda dos viajantes. O novo terminal de passageiros e serviços será inaugurado em maio — um mês antes do Mundial.

 

O prazo foi estabelecido em contrato assinado pela Aeroportos Brasil Viracopos, que administra o aeroporto, e o governo federal. No terminal, também é realizado um curso intensivo de inglês com a participação de funcionários do aeroporto e terceirizados.

 

Mas muitos profissionais que atuam nos táxis e atendentes nos estabelecimentos comerciais não falam um segundo idioma e nem estão nos cursos. 

Desafios

Os restaurantes mais acessados pelos turistas de negócios apresentam cardápios bilíngues. Contudo, essa regra não é geral na cidade. Os setores de informações da maioria dos shoppings centers também estão se preparando para atender os estrangeiros.

 

O professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Roberto Brito de Carvalho, afirmou que há vários desafios para serem superados.

“O governo municipal e o setor privado têm vários méritos por se organizarem e colocarem Campinas, mesmo sem ser sede, entre as que terão seleções do Mundial. Mas há gargalos como o transporte público, a quantidade de pessoas que fala um segundo idioma e a falta de opções de entretenimento e cultura. O turista não vem apenas para ver a Copa. Ele quer alternativas para explorar o País. Não temos museus ou outras atrações culturais”, comenta.

 

 

 

Estação Cultura é um dos patrimônios de Campinas que não tem sinalização para turistas estrangeiros

Créditos: Janaína Maciel/ ANN

 

 

 

 

 

Carvalho disse que, mesmo precisando melhorar a estrutura para o atendimento ao turista de lazer, Campinas está em uma situação melhor do que outras cidades no Brasil.

 

“Não estamos no patamar ideal. Entretanto, o município recebe muitos turistas de negócios e consegue atender bem na área de hospedagem e no polo gastronômico”, salientou.

 

O professor da PUC-Campinas disse que a articulação entre o setor público e o privado foi relevante também para que medidas fossem tomadas com o objetivo de minimizar as lacunas em estrutura e no atendimento aos turistas estrangeiros.

Carvalho é um dos autores de um livro que analisa o legado do Mundial para o País. O especialista lamentou a grande oportunidade que o Brasil estaria perdendo ao não promover mudanças em infraestrutura e a falta de transparência do uso de dinheiro público.

 

“O legado que o Brasil terá são elefantes brancos (estádios), enormes dívidas e uma infraestrutura que continua precária”, criticou. Ele comentou que o País deveria ter aproveitado melhor o período pré-evento. 

 

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Adriana Leite