Publicado 02 de Março de 2014 - 0h59

Usuários de drogas, principalmente crack, em área de ferrovia no Jardim Santa Eudóxia

Carlos Sousa Ramos/AAN

Usuários de drogas, principalmente crack, em área de ferrovia no Jardim Santa Eudóxia

A operação Centro Seguro em Campinas, que revitalizou o Viaduto Miguel Vicente Cury e reforçou a segurança das ruas de seu entorno, promoveu a pulverização de usuários de crack para bairros que margeiam a linha férrea e para a periferia da cidade.

 

Os dependentes químicos, que antes andavam em bloco e eram frequentadores assíduos da extinta Casa da Cidadania, agora perambulam mais solitários por bairros como a Vila Orozimbo Maia, Vila Lemos, Jardim Itatiaia, Jardim Baroneza, Jardim Santa Eudóxia e Jardim Proença.

 

Porém, comerciantes afirmam que eles voltaram a circular no Centro à noite, depois que a viatura da Guarda Municipal deixa o local.

 

A reportagem percorreu ruas do Centro na manhã da última quarta-feira e encontrou apenas um usuário de drogas, que não quis conceder entrevista.

 

Na linha férrea que corta a região, no entanto, eles começam a aparecer a partir da Vila Lemos até o Anel Viário Roberto Magalhães Teixeira (SP-083), em uma extensão de 3,5 quilômetros. Eles utilizam o crack à beira dos trilhos, escondidos perto da vegetação ou atrás de árvores.

O usuário J.S.S., de 28 anos, agora mantém seus pertences sob o viaduto da Avenida Jorge Tibiriçá, que passa em cima da linha. Ele disse que almoçava todos os dias na Casa da Cidadania, quando ela ficava embaixo do Viaduto Cury, e contou que não conhece o Centro Pop, na rua José Paulino, que substituiu o serviço.

“A Casa da Cidadania tinha pessoas conhecidas, que eu sabia que podia contar. Meu ponto era o Terminal Central. Mas depois da limpeza que eles fizeram, todo mundo espalhou. Não vi mais alguns amigos”, disse o dependente, que confessou fazer pequenos roubos e furtos à noite no Jardim Santa Eudóxia para manter o vício.

 

J.S.S. disse que a maioria dos usuários não tem mais ponto fixo e fica cada dia em um local. Natural de Salvador, o jovem começou a usar cocaína há 16 anos e foi para o crack depois que se separou da mulher. “Eu tentei parar várias vezes, frequentei o Caps do Taquaral e estava indo bem. Na verdade preciso de um atendimento psicológico”, disse.

 

No Jardim Proença, um usuário montou uma “casinha” embaixo de um coqueiro, no canteiro central da Avenida Princesa d’Oeste.

 

“Ele aparece aqui de vez em quando, não fica todos os dias. Costuma dar uma sumida quando chove. Mas não incomoda quem trabalha por aqui”, disse a auxiliar de escritório Mariana Lima dos Santos, funcionária de uma imobiliária próxima.

 

A coordenadora da equipe do Programa Consultório da Rua, Alcyone Apolinário Januzzi, afirmou que, apesar de ter amenizado o problema de segurança no entorno do Viaduto Cury, a Operação Centro Seguro dificultou o vínculo feito pelos profissionais com os usuários.

 

“Antes era mais fácil encontrá-los e conversar com eles, pois eles ficavam concentrados no Centro ou imediações. Hoje estamos fazendo um remapeamento para localizá-los”, disse.

 

Ainda de acordo com Alcyone, eles sempre estiveram às margens da linha férrea. “O que ocorreu é que agora eles se concentraram mais por lá”, explicou.

 

A secretária de Cidadania, Assistência e Inclusão Social, Janete Aparecida Valente, disse que a migração não ocorreu a partir do fechamento da Casa da Cidadania.

 

“As equipes regionais da Assistência perceberam essa migração antes, em meados do ano passado, por isso que ampliamos o pessoal da secretaria em outras áreas”, explicou.

 

Janete disse ainda que muitos usuários voltaram para sua cidade de origem.

 

A secretaria faz novo mapeamento da população de rua e dependentes químicos, que deve estar pronto na segunda semana de março.

 

 

“A partir dessa pesquisa, vamos ver onde devemos reforçar o serviço de assistência e cuidado com os usuários”, completou.