Publicado 01 de Março de 2014 - 10h52

Por Correio Popular

A aposentada Alzeni Fortunato Amaral da Silva, 62 anos, morreu na noite de sexta-feira (28) depois de ser atropelada por um trem, no Jardim Florence 2, em Campinas. A idosa voltava da casa de um filho no Jardim Satélite Iris quando se assustou com a proximidade do trem, tropeçou e caiu no trilho. Segundo testemunhas, o maquinista chegou a buzinar desesperadamente para a mulher sair da linha, mas ela não conseguiu se levantar e foi atingida pela locomotiva, que conseguiu parar após 60 metros.

 

A tragédia foi por volta das 20h30. O trem com ao menos 60 vagões carregados de soja seguia no sentido Capital. O acidante foi justamente no trecho que está em construção um pontilhão para passagem de moradores. Mesmo em obras, os moradores atravessam a linha, de pouca iluminação.

 

A família só soube da tragédia na manhã de ontem quando deram por falta da vítima. Segundo os filhos, Alzeni tinha ido na casa de um deles para combinar a viagem que fariam na manhã de ontem para o Estado do Paraná. O marido dela estranhou a demora no retorno e achou que a vítima tinha ficado na casa do filho.

 

"Meu filho e minha mulher tinham combinado em sair às 6h da manhã e como ela não aparecia, meu filho foi em casa buscá-la e foi aí que descobrimos a tragédia" , disse o marido da vítima que não quis se identificar.

 

A aposentada morava a cerca de 200m do local do acidente. Testemunhas disseram que a locomotiva estava a cerca de 20 metros quando a idosa decidiu atravessar correndo. O maquinista, J.E.M., 43 anos, ficou em estado de choque. "A locomotiva era bem pesadona e não ia conseguir parar mesmo" , comentou o vigilante Flávio dos Santos Silva, 27 anos, que trabalhava em uma empresa bem ao lado de onde ocorreu a tragédia. "Aqui sempre tem acidente. Tem gente que passa de moto. É um perigo" , comentou.

Acidentes

 

O último acidente nos trilhos do trecho do Jardim Florence 2 ocorreu em dezembro do ano passado, e matou um idoso de 67 anos. A América Latina Logística (ALL), concessionária que administra a linha férrea, iniciou a construção da passagem especial para pedestres no ponto depois da tragédia.

No total, a Região Metropolitana de Campinas teve cinco acidentes e duas mortes na linha férrea em 2013. Em janeiro deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) anunciou que o prefeito Jonas Donizette (PSB) deveria assumir a execução das obras de segurança nas passagens de nível ferroviárias de alto risco na cidade, sob pena de ter apurada responsabilidade em relação aos acidentes já ocorridos nos locais e que vierem a ocorrer.

Na ocasião, o prefeito disse que tem um acordo com a América Latina Logística (ALL) para a execução das obras, mas a concessionária não estava fazendo sua parte.

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