Publicado 03 de Março de 2014 - 9h10

Por Correio Popular

Toda e qualquer medida voltada ao enfrentamento da violência que assombra a sociedade deve ser recebida com entusiasmo e objetividade, sem deixar que as interferências eleitorais assomem importância exagerada. É comum aos políticos agendarem ações populistas para cravar na memória dos eleitores as realizações, o que se torna essencial diante da proverbial falta de memória nacional. Mas não devem nunca ser deixadas de lado as premissas do direito e das necessidades a serem atendidas.

Campinas recebeu na semana que passou a sua segunda Delegacia Seccional de Polícia, que está localizada no Jardim Londres e que vem atender à necessidade de descentralização dos serviços e de maior proximidade com a população. Prometida há dois anos e com entrega prevista para dezembro passado, a delegacia foi aberta oficialmente com a estrutura mínima de 20% do pessoal necessário para sua operação. Também na semana passada, a Secretaria de Segurança voltou atrás em decisão de suspensão dos plantões noturnos do 9º Distrito Policial, no Jardim Aeroporto, depois de protestos dos moradores. Nos dois casos, a frustração empanou em parte o que poderia ser um grande e esperado anúncio para a Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Também não convence a forma recorrente como se pretende rearranjar a estrutura dos distritos, fechando alguns e centralizando o atendimento popular, o que tem sido criticado por especialistas e pela população. Um município da dimensão de Campinas não poderia ter plantões centralizados. O principal resultado seria a redução do registro das ocorrências que, sabe-se, já peca pela subnotificação de pequenos crimes e contravenções.

O governador Geraldo Alckmin veio à cidade com pacote de realizações para demonstrar atenção especial à Região Metropolitana de Campinas. Em alguns aspectos, equivocou-se por imaginar que poderia dar por cumprida uma promessa de prover um aparato de segurança à altura da importância de Campinas.

Avança na sinalização de que mais providências estão por vir, mas leva a convicção de que precisa muito mais para se atingir um nível mínimo de excelência em segurança. É questionável também a estruturação da nova Seccional, que será feita a “conta-gotas”, à medida em que o Estado viabilize aparato físico e mão de obra.

A sociedade não aceita mais a postergação de providências, ainda que se tenham antecipado algumas medidas por uma agenda alheia à abordagem real do problema de insegurança que paira sobre todos.

 

Escrito por:

Correio Popular