Publicado 02 de Março de 2014 - 8h48

12 Anos de Escravidão ou Gravidade

12 Anos de Escravidão ou Gravidade

12 Anos de Escravidão ou Gravidade

Trapaça (David O. Russel) e Gravidade (Alfonso Cuarón) saíram na frente na disputa pelo Oscar 2014 com dez indicações, mas o primeiro não deverá levar o prêmio de melhor filme, hoje, na cerimônia da 86ª edição do Oscar. Diferentemente de Gravidade que, sim, tem 50% de chances. As outras 50% ficam com seu principal adversário, 12 Anos de Escravidão (Steve McQueen), que concorre em nove categorias.

A premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood ocorre em Los Angeles, Estados Unidos, a partir de 23h (hora de Brasília). A apresentação será da comediante Ellen DeGeneres. A TNT transmite a festa integralmente (com pré-show às 22h), enquanto a Rede Globo entrará apenas com flashes por conta da cobertura do carnaval.

O principal termômetro dessa disputa pertence ao Sindicato dos Produtores dos Estados Unidos. Há seis anos, o vencedor do sindicato é o mesmo do Oscar. E, neste ano ocorreu um fato inédito, pois os escolhidos foram dois, justamente Gravidade e 12 Anos de Escravidão. Portanto, um deles deverá ser o vencedor.

Se for para apostar, o primeiro deve ser As Aventuras de Pi (Ang Lee) do ano passado, que tinha onze indicações e levou direção e mais três técnicos. A maior deficiência do longa de Alfonso Cuarón está no elenco – que não tem e a chance de a indicada Sandra Bullock ganhar é zero. E, além disso, possui um roteiro frágil e uma história banal, que ficar maior por se passar no espaço. Assim, sobram as categorias técnicas.

A favor de 12 Anos de Escravidão, além de um bom filme, contam o bom elenco, o roteiro adaptado, uma história forte e o peso que os negros ganharam no Oscar nestes anos 2000. O tema também joga a favor, pois nunca a escravidão foi mostrada de modo tão contundente. Se a Academia quiser demonstrar ousadia política, este é o momento.

Os melhores filmes são O Lobo de Wall Street (Martin Scorsese) com cinco indicações e Nebrasca (Alexander Payne), com seis; nenhum dos dois tem chances. Porém, se quiser mostrar alguma ousadia artística, a Academia não pode mais ignorar Leonardo DiCaprio, tão visceral em O Lobo como em Diário de um Adolescente (Scott Kalvert, 1995).

Mesmo que Hollywood adore filmes que defendem causas e nos quais atores emagrecem ou engordam, como foi o caso de Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas, Jean-Marc Vallée) – que está inegavelmente bem –; ainda assim, esta deveria ser a vez de DiCaprio. Se acontecer, será o fato mais marcante do Oscar 2014.

Do mesmo modo, Jared Leto (Clube de Compras Dallas) está bem no papel e ele já ganhou um monte de prêmios – e a Academia também adora essas caracterizações (ele interpreta uma travesti), porém, Michael Fassbender está soberbo em 12 Anos de Escravidão. Se existir merecimento de fato na definição do ganhador, o Oscar terá de ser dele.

E, como todo ano acontece, há os prêmios dos quais ninguém mais duvida. Cate Blanchett (Blue Jasmine) ganhou tudo neste ano e vai levar a estatueta para casa, assim como A Grande Beleza (Paolo Sorrentino, Itália) deve faturar a categoria filme estrangeiro.

Por fim, veremos uma vez mais Meryl Streep (Álbum de Família) bater o próprio recorde de inacreditáveis 18 indicações como atriz. Não levará e nem está tão bem assim, mas a maior atriz americana – e uma das maiores do mundo – merece estar lá.

*  Publicado no Correio Popular em 2/2/2014