Publicado 23 de Fevereiro de 2014 - 5h31

O anúncio da compra do aplicativo de mensagem instantânea WhatsApp pelo Facebook demonstra a vontade da rede social de se manter conectada aos jovens e fortalecer seu uso em celulares para conservar sua liderança, afirmam analistas.“Isso mostra a determinação do Facebook em se transformar no próximo Facebook”, disse Benedict Evans, da empresa de capital de risco Andreessen Horowitz.Contudo, a notícia surpreendeu muitos especialistas diante da disposição da empresa de Mark Zuckerberg de desembolsar a elevada soma de US$ 19 bilhões pela compra. Trata-se de um recorde e de “uma verdadeira fortuna para um simples sistema de mensagem”, diz Lionel Kaplan, especialista em redes sociais no Mediatrium, uma agência de marketing e comunicação em Paris“Contudo, temos que admitir que o WhatsApp é um autêntico êxito e um verdadeiro fenômemo: são 450 milhões de usuários no mundo, a maioria jovens, que veem nele o melhor meio de substituir as velhas mensagens de texto via SMS. A compra indica claramente que o Facebook quer conservar sua liderança, que vacilou nos últimos tempos pelo descontentamento justamente dos adolescentes”, conclui.Greg Sterling, analista da Opus Research, destaca que “o tamanho da transação é realmente impressionante e fará alguns citarem que se trata de uma bolha”. Mas o Facebook se mostrou mais do que disposto a correr o risco, porque os meios sociais estão na moda - e ninguem garante que no próximo ano não aparece um outro aplicativo tão atraente e bem sucedido como ele.Por outro lado, Sterling acredita que o Facebook aceitou pagar essa quantia “em resposta à frustração de não ter podido comprar o Snapchat”, um outro serviço de mensagem instantânea.De todo modo, porém, o fator-chave para o negócio foram mesmo os jovens. O Facebook “realmente necessita de ferramentas para chamar a atenção dos usuários mais jovens e o Instagram (um aplicativo para compartilhar fotos e vídeo já nas mãos da empresa de Zuckerberg) não pode fazer isso sozinho”, aponta SterlingDe fato, após 10 anos de existência, a rede social corre o risco de se transformar no “ancião” do setor e perder sua influência nas gerações mais jovens - que já estão presas aos smartphones.Com a compra do Instagram e do WhatsApp, o Facebook está se transformando em uma espécie de “holding de aplicativos”, opina Sterling. Apesar disso, o aplicativo de mensagens instantâneas manterá seu conselho de administração e funcionará de forma independente dentro da rede social.Segundo os analistas da Deutsche Bank, a operação da empresa de Zuckerberg “reforça sua posição de empresa número um no âmbito de comunicação móvel no mundo graças a seus três estandartes: Facebook, Instagram e, agora, WhatsApp”.Jim Goetz, da empresa Sequoia Capital, considera que o preço da aquisição é justificado porque “o WhatsApp transformou as comunicações pessoais”. E lembra que o sistema de mensagens está muito subestimado nos Estados Unidos, ao contrário do que acontece no resto do mundo.Roger Kay, da Endpoint Technologies, acredita que o WhatsApp se transformou em um dos aplicativos mais populares, o que faz lembrar o Skype - o programa de telefonia online que também conta com milhões de adeptos. Em sua opinião, a operação de compra também tem sentido dado o valor da ação do Facebook, que atinge níveis recorde desde sua difícil entrada na bolsa em 2012.“Quando se tem uma ação assim, que avança a toda velocidade e que produz muito valor, a melhor tática é transformá-la em outro valor, mais concreto”, avalia. Os analistas do Deutsche Bank consideram a operação como “ofensiva” e dizem que o Facebook “continuará sendo astuto em um momento em que foca no setor móvel seu modelo de negócio e sua estratégia”. (Da France Press)