Publicado 23 de Fevereiro de 2014 - 8h20

Por Adriana Leite

O agricultor Benedito Nunes da Silva no meio das rosas, em Holambra

Dominique Torquato/AAN

O agricultor Benedito Nunes da Silva no meio das rosas, em Holambra

A estiagem prolongada deste ano afeta fortemente a produção de flores e plantas ornamentais na região de Campinas. Parte dos agricultores de Holambra perdeu mais de 50% da produção nos últimos dois meses.

A consequência vai recair sobre o bolso do consumidor: com menos oferta no mercado, os preços devem subir no varejo. Outro problema é a qualidade: as plantas chegam às floriculturas e supermercados sem sua exuberância habitual.

O calor em excesso e a escassez de água para irrigação prejudicaram o desenvolvimento e a floração das plantas. Os problemas na lavoura terão reflexo nas vendas em datas importantes como o Dia da Mulher, comemorado no próximo dia 8, e até no Dia das Mães, no segundo domingo de maio.

O cenário desanima os agricultores - que ainda esperam por chuvas nos próximos dias para reduzir pelo menos em parte suas perdas.

O clima será determinante para que os produtores decidam os próximos passos. Mesmo as flores cultivadas em estufa estão sofrendo com a temperatura e a falta de chuvas.

O agricultor Sérgio Celegatti afirma que deixou de colocar no mercado, apenas em janeiro, 2 mil vasos de orquídeas. “As flores não estão abrindo. As temperaturas estão muito elevadas tanto durante o dia quanto à noite, e as orquídeas precisam de temperaturas mais baixas pelo menos durante à noite”, explica.

Ele diz que no mês de janeiro 40% da produção não pode ser comercializada. “A produção mensal é de 5 mil vasos. O valor médio no atacado é de R$ 14,00 a R$ 16,00. Além de não conseguir comercializar as plantas que estão em produção, também parei de importar novas mudas. Não há como abrir espaço na estufa para novos vasos e também não temos água suficiente para iniciar uma nova produção” , afirma.

O agricultor deixou de importar 15 mil mudas entre dezembro e fevereiro. “A situação é muito preocupante”, ressalta. Celegatti salienta que leva um ano e meio entre o replantio da muda após a importação e a venda do vaso de orquídea para o varejo.

“Por isso, o reflexo do problema que sofremos nesse início de ano vai se estender por muito tempo. A expectativa é que chova nos próximos meses para compensar a estiagem deste começo de ano”, comenta.

O agricultor diz que é preciso uma mudança no clima para que as plantas voltem a florescer entre 40 e 45 dias. “As vendas do Dia da Mulher e das Mães já sofrerão as consequências dos estragos da estiagem. O mercado terá menos produtos para ofertar”, afirma.

O produtor diz que, além da quebra da produção, outra preocupação é com a falta de água. “Sem chuva, os mananciais estão em nível crítico e a situação está preocupante. Na minha propriedade, a água vem de um poço artesiano e da coleta da chuva. Com a escassez estamos reduzindo o uso, mas a propriedade está com um estoque muito baixo de água”, lamenta.

 

Veja também

Escrito por:

Adriana Leite