Publicado 22 de Fevereiro de 2014 - 5h31

Em conferência com analistas estrangeiros ontem em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, falou sobre a programação orçamentária de 2014, ressaltando que a meta de superávit primário será de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) - o que representa um corte de US$ 18,6 bilhões no orçamento aprovado no Congresso.“A previsão de receita foi revisada e a nova projeção foi feita em bases bem conservadoras. As receitas extraordinárias que ocorrem praticamente em todos os anos também estão projetadas em patamar bem menor do que ocorreu no ano passado”, afirmou o ministro, que disse ainda que não estão previstas para 2014 reduções de tributos.Ele destacou ainda que a projeção do resultado primário a ser feito pelos Estados e municípios também foi revisado para um patamar mais baixo, de 1% do PIB para 0,36% do PIB.“Com esse resultado primário de 1,9% do PIB nós teremos uma redução da dívida bruta e da dívida líquida em 2014”, disse Mantega. O ministro também ressaltou que a meta fiscal de 2014 irá contribuir para reduzir as pressões inflacionárias. “Com essa economia a ser feita pelo Estado brasileiro, nós estaremos contribuindo para atenuar a pressão inflacionária que ocorreu no ano passado”, disse.Ele afirmou que em 2013, com superávit primário de 1,91% do Produto Interno Bruto (PIB), houve redução da dívida líquida e da dívida bruta. Mantega citou que a dívida líquida recuou 35,3% para 33,8%, enquanto a dívida bruta caiu de 58,8% para 57,2%. Ao ser questionado sobre a questão energética, o ministro da Fazenda afirmou que o governo está trabalhando com uma despesa adicional para o setor de energia de R$ 9 bilhões, já previstos no orçamento.“Por enquanto ainda não está claro se vai haver aumento de despesas de energia em 2014 e como vamos distribuí-las entre o setor público e as tarifas de energia”, disse. “Isso só ocorrerá até abril, quando saberemos exatamente qual será o tamanho dos nossos reservatórios e quanto poderemos ter de despesas adicionais”, completou Mantega, afirmando ainda que o governo está preparado para cobrir eventuais despesas adicionais.“Faremos, conforme for, um sacrifício suplementar”, disse o ministro, afirmando que o governo poderá ter outras fontes de receita caso contas não previstas apareçam. Mantega disse ainda que nenhuma instituição conseguiu apontar qual será a necessidade adicional para a energia além da previsão de R$ 9 bilhões com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).Análises erradas

Mantega classificou de “equivocadas” as análises que incluem o Brasil entre os países emergentes mais suscetíveis à turbulência dos mercados financeiros. Com a recuperação dos EUA, capitais estão deixando países emergentes para voltar ao mercado americano. Segundo análise de algumas instituições, há emergentes mais mal preparados do que outros nessa reversão de fluxo de recursos. O Morgan Stanley colocou o Brasil entre os países suscetíveis em suas avaliações, criando a expressão “Cinco Frágeis”. A análise leva em conta a inflação elevada no país e a dependência crescente de recursos estrangeiros. Mantega disse que essas análises são baseadas principalmente na desvalorização do real. “Essas mesmas análises equivocadas se esquecem de mostrar o nosso nível elevado de reservas”, afirmou, referindo-se à poupança do País em dólares para enfrentar escassez de moeda forte. O Brasil tem US$ 377 bilhões em reservas. Mantega observou que não houve redução desse colchão no período mais agudo de estresse, no mês passado. “Não houve saída de reservas desde o início da turbulência. Portanto, questiono os parâmetros e ouso dizer que o Brasil tem condições sólidas e pode atravessar momentos difíceis sem grandes problemas”, afirmou. Ele afirmou que, nos últimos seis meses, o real até se valorizou em relação ao dólar e atribuiu a volatilidade da moeda à abertura financeira do Brasil. “O câmbio brasileiro se move mais para cima e para baixo. Nós temos um mercado futuro de câmbio e de juros. Temos mais abertura e mais liquidez. É um mercado onde se tem movimentos mais rápidos, o que é uma virtude, e não um defeito”, disse. O ministro disse ainda que a dívida externa brasileira de curto prazo representa 7% das obrigações do País no exterior e afirmou que a “solvência do Brasil é muito confortável”. Mantega disse também que o deficit com o exterior do Brasil (equivalente a 3,7% do PIB) é um nível “intermediário” e que ele aumentou em 2013 devido às importações de petróleo e redução das exportações. “Nesse ano, com a produção da Petrobras aumentando, esse deficit será menor”, afirmou. (Das agências)