Publicado 23 de Fevereiro de 2014 - 5h30

Sem fontes de recursos para restaurar o conjunto de imóveis públicos tombados em Campinas, a Prefeitura decidiu que irá adotar uma solução caseira para a manutenção desses prédios e dar a eles condições de uso. Segundo Daisy Ribeiro, historiadora da Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC), está sendo feito um levantamento para a identificação dos problemas para que a Prefeitura, com recursos e mão de obra próprios, possa fazer as intervenções necessárias. A intenção é, pelo menos, dar bom exemplo, porque hoje os imóveis tombados de maior visibilidade na cidade são públicos e estão degradados.

De acordo com a historiadora, a proposta é adotar intervenções como as que ocorreram na Pedreira do Chapadão, uma área tombada e que ficou abandonada durante anos. Ali, com recursos próprios, estimados em R$ 1,4 milhão, houve recuperação do paisagismo, foi implantada nova rede de iluminação, feito desassoreamento dos lagos, reconstrução da ponte e a construção de quiosques e quadras poliesportivas, além de novos sanitários, e o espaço voltou a ser frequentado. Ou então, como ocorreu na manutenção do Barracão de Lemos, no complexo ferroviário, que contou com recursos de parceiro privado.

O modelo deve ser aplicado na casa da antiga Fazenda Jambeiro, que hoje é apenas ruína. Ali, a CSPC tem projeto de preservar as ruínas para mantê-las como objeto de estudo e pesquisa, enquanto a Secretaria de Serviços Públicos fará a capinagem do terreno. Além de retirar o mato, um gramado será colocado no terreno para evitar o crescimento do matagal, que encobre parte do imóvel histórico. Um levantamento de copa de árvores também será feito para que o espaço fique aberto, mas preservando as árvores tombadas. Também serão retiradas as plantas que cresceram dentro do casarão, além do lixo e entulho que se acumulam na área.

A lista do patrimônio público degradado é razoável. Museu da Cidade, Centro de Convivência Cultural, Estação Cultura, ponte metálica do Rio Atibaia, Palácio dos Azulejos, fábrica de cerveja Colúmbia. São bens de grande visibilidade, tanto pela imponência das edificações quanto pela importância histórica.

O Museu da Cidade é um dos bens mais problemáticos. Há infiltrações por todo lado, que já começam a comprometer o prédio. A revisão completa do telhado, bem como das estruturas elétrica e hidráulica, é urgente. Com um acervo formado por 7 mil peças, após a junção de três museus que funcionavam até 1992 no Bosque dos Jequitibás (os museus Histórico, do Folclore e do Índio), o local até agora não conseguiu implantar o seu projeto museológico.

No Centro de Convivência, o cenário também não é animador. Há fios expostos, ligações de energia clandestinas, goteiras, umidade no chão e nas paredes devido à infiltração e até esgoto a céu aberto. Do lado de fora, os problemas também são visíveis. Os pilares localizados próximos à entrada onde funcionava o setor administrativo da Orquestra Sinfônica possuem rachaduras e o chão já cedeu. As arquibancadas do Teatro de Arena encontram-se em mau estado de conservação e os primeiros degraus que dão acesso ao teatro apresentam início de erosão, o que permite que a água da chuva escoe ainda mais para dentro do teatro. A Prefeitura vai usar contrapartidas de aprovação de empreendimentos para custear os projetos necessários para a licitação da obra.

Estação

Já a Estação Cultura precisa de restauro no prédio principal e barracões, e a possibilidade de obter verbas federais para as obras até agora não se configurou por descaso de administrações passadas. Depois de dois anos esperando pela liberação de R$ 15 milhões prometidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a restauração da Estação Cultura e a segunda fase da preservação do Palácio dos Azulejos, a Prefeitura de Campinas descobriu que os dois projetos com pedido de verbas nunca foram enviados para Brasília.

O Palácio dos Azulejos espera há oito anos pela conclusão do restauro para poder recuperar as pinturas internas, os elementos decorativos e o pátio. Único bem histórico de Campinas que é patrimônio municipal, estadual e nacional, o palácio concluiu, em 2004, a primeira fase do restauro e aguarda, desde então, autorização do Ministério da Cultura (MinC) para iniciar a captação de recursos para as obras. A segunda fase deverá consumir R$ 1,2 milhão, segundo a Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural. O Palácio dos Azulejos é a sede do Museu da Imagem e do Som (MIS).

A ponte metálica do Rio Atibaia, em Sousas, além de estar em processo de deterioração, tem telas soltas do alambrado que colocam em risco quem passa pelo local. A Prefeitura afirma que está em busca de parceria privada para restauração. O prédio da antiga Cervejaria Colúmbia é o exemplo perfeito do abandono. A edificação, da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), está tomada pela sujeira, ocupada por usuários de drogas, vítima constante de depredação e com risco de desabar. A Sanasa tentou leiloar o prédio, mas não houve interessados.