Publicado 23 de Fevereiro de 2014 - 11h12

Por Milene Moreto

A condenação de políticos envolvidos no processo do mensalão teve reflexos diretos no número de parlamentares de Campinas na Câmara dos Deputados. Até o segundo semestre do ano passado, a cidade contava com cinco nomes. O número subiu com o ingresso de Renato Simões (PT), que passou a ocupar a vaga de José Genoino (PT-SP), e do vereador Gustavo Petta (PCdoB), que na última semana se despediu do Legislativo campineiro para atuar em Brasília no lugar que era de João Paulo Cunha (PT-SP), também condenado e preso em razão do caso de corrupção política.

Agora, a cidade conta com sete deputados, que representam partidos diferentes na Casa. Nos últimos anos, cada um tem feito seu trabalho de forma isolada, com projetos, emendas e ações voltadas para seus redutos eleitorais na Região Metropolitana de Campinas (RMC), sem uma mobilização conjunta para solucionar as questões mais críticas da região. Para alguns parlamentares, a bancada de Campinas é inexistente.

Recém-chegado a Brasília, Petta afirmou que vai tentar a unidade do grupo para destravar pautas importantes para a região, como a consolidaçao da Universidade Federal, a aprovação do projeto do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e a proposta que redefine a dívida dos municípios. “O problema da dívida dos prefeitos interfere diretamente em Campinas e em São Paulo. É evidente que cada deputado tem o seu partido, mas existem bandeiras em comum. Acho que Campinas pode ganhar se houver essa união”, disse o deputado.

Além de Petta e Simões, integram o grupo de parlamentares de Campinas Carlos Sampaio (PSDB), Guilherme Campos (PSD), Salvador Zimbaldi (PROS), Aline Corrêa (PP) e Paulo Freire (PR).

Líder do PSDB na Câmara em 2013, Sampaio desempenhou no último ano um papel de forte oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff, como forma de abrir espaço para a candidatura de Aécio Neves à Presidência da República. Em paralelo, Sampaio também passou a atuar com mais intensidade em Campinas após a eleição de Jonas Donizette (PSB), seu aliado. O parlamentar, inclusive, mantém cargos e secretarias na Prefeitura.

Sobre a união dos parlamentares em Brasília, Sampaio afirmou que é favorável ao trabalho da bancada, mas que tem feito sua parte pela cidade. “Estou à disposição do Petta para conversarmos, mas já estou trabalhando por Campinas há muito tempo. Se a ideia é incentivar os que não produzem, conte comigo”, disse o tucano.

União

As diferenças partidárias atrapalham a formação da bancada de Campinas na Câmara dos Deputados. Guilherme Campos afirma que não existe uma agenda de trabalho em comum entre os representantes da cidade em Brasília. “A bancada não existe. Acho difícil sua consolidação. Na prática, as bancadas têm efeito pequeno na Casa”, afirmou.

Os deputados de Campinas fizeram manifestações públicas sobre os principais problemas que afetaram a cidade nos últimos meses. A Segurança Pública foi um dos setores que fez com que os deputados buscassem soluções junto ao governo federal ou estadual, mas de forma isolada.

Após a chacina que vitimou 12 pessoas no mês passado, o deputado Renato Simões buscou ajuda da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência para que o órgão acompanhasse o caso na cidade. Sampaio fez contato com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para se colocar à disposição na tentativa de ajudar a solucionar o problema.

Mais recentemente, Guilherme Campos fez uma visita ao presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) na tentativa de encontrar soluções para o problema da falta de água na região.

 

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