Publicado 23 de Fevereiro de 2014 - 10h12

Os invasores ocuparam a área do antigo trilho do VLT

Edu Fortes/AAN

Os invasores ocuparam a área do antigo trilho do VLT

Há quase um ano e quatro meses morando em barracos em uma área ocupada que pertencente à União, no bairro Cidade Jardim, os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) de Campinas ainda não receberam nenhuma alternativa da Prefeitura e do governo federal, que articulam uma solução para que os invasores deixem a área do antigo trilho do VLT. Uma delas seria a instalação das 243 famílias em moradias do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Em março do ano passado, a Prefeitura chegou a anunciar a remoção das famílias, que deveria acontecer até o final do ano, mas isso não aconteceu. Apesar das incertezas, os moradores estão confiantes. A ocupação ocorreu em outubro de 2012. O movimento defende que áreas como a do VLT cumpram uma função social e não fiquem ociosas ou sejam negociadas.

A primeira e única reunião com o poder público sobre a invasão foi realizada em novembro do ano passado. Participaram representantes dos governos federal e municipal, além de integrantes do MTD. Um dos líderes da ocupação, Francisco Galvão, afirmou que desde a reunião, eles seguem cumprindo com o que foi acordado: não podem mais receber famílias e nem construir casas de alvenaria. “Estamos aguardando um posicionamento. Se eles nos tirarem daqui devem nos colocar em alguma outra área ou em casas do Minha Casa, Minha Vida”, afirmou Galvão. “Todas as famílias já estão cadastradas, e acho essa a melhor saída. Queremos sair em paz, sem confusão.”

A expectativa também é grande entre os outros moradores. “Estamos aguardando. Eu sei que vão arrumar um lugarzinho para nós”, disse o pintor Mauro Trevisolli, de 50 anos, que mora sozinho.

“Esperamos uma solução rápida e pacífica”, disse Débora Pereira, de 27 anos, que divide um pequeno cômodo de madeira com cinco filhos.

A reportagem do Correio não conseguiu contato com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), na última quinta-feira, mas, de acordo com a ata da reunião de novembro, foi assegurado aos integrantes da ocupação que não haverá reintegração de posse enquanto a destinação da área estiver em debate.

Ação

A Secretaria de Habitação de Campinas (Sehab) informou que a Prefeitura entrou com Ação Civil Pública solicitando a desocupação da área, que pertence à União, mas a ação foi suspensa pela Justiça nesta semana. “Atualmente, a Secretaria de Habitação aguarda a proposição de uma solução definitiva para o caso, que decorrerá de entendimento entre a Prefeitura e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Representantes das duas esferas já iniciaram esse entendimento, numa reunião ocorrida em novembro de 2013, em São Paulo. Até que seja decidido o encaminhamento para a ocupação irregular, as famílias permanecerão no local”, informou em nota.

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