Publicado 22 de Fevereiro de 2014 - 5h30

A arte do campineiro Carlos Duvilio Squarcini, de 55 anos, vai ser exposta em um evento internacional em Fujian, na China, em homenagem ao Dia da Madeira, comemorado em 21 de março. O artesão foi escolhido pelo professor Mario Tommasiello Filho, da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), para representar o Brasil em um simpósio de escultura em madeira que vai reunir entalhadores de 48 países.

O convite veio de surpresa através de uma telefonema, há cerca de um mês. Tommasiello conheceu o trabalho de Squarcini pela internet, em um blog que ele mantém. Os dois nunca se encontraram. “Ele ligou explicando quem era, perguntou se queria ver meu trabalho numa exposição na China. No começo, achei que fosse trote”, contou Squarcini.

A certeza de que a proposta era real veio depois de o artesão entrar no site do evento e pesquisar o currículo do professor, que é especialista em madeira. “Quando vi que era coisa séria, claro que topei”, disse Squarcini, que agora se ocupa e tirar os documentos necessários para a viagem.

As figuras inspiradas na arte barroca de Aleijadinho de Squarcini estão todos os finais de semana na Feira de Artes e Artesanato do Centro de Convivência Cultural, no Cambuí. Os temas sacros são comuns no trabalho do escultor, mas suas peças favoritas são aquelas que, nas palavras do próprio artesão, retratam a “anatomia humana”.

Uma das eleitas para ser levada à Fujian é uma escultura de 70 centímetros de uma escrava nua, com um cesto na cabeça. “Acho que foi por isso que ele gostou do meu trabalho. Representa bem a época de ouro da escultura em madeira no Brasil”, disse.

O World Wood Day Celebration começa no dia 20 de março e vai até o dia 25. Porém, Squarcini chegará alguns dias antes para começar a esculpir a peça que ficará permanentemente em exposição. Quando o evento terminar, a escultura fará parte do acervo do simpósio e voltará a ser exposta no ano que vem.

O evento de arte em madeira ocorre anualmente, sempre em um país diferente. “Vou levar uma peça minha daqui e fazer uma lá. Irei trabalhar na madeira enquanto as pessoas visitam a exposição. Vai ser uma experiência diferente porque não costumo entalhar na frente dos outros”, explicou o artesão, que disse estar com frio na barriga com a experiência.

Vitrine

Ainda segundo ele, o evento vai ser uma vitrine internacional para sua arte. Hoje, o escultor vende uma figura de 70 centímetros por cerca de R$ 1,8 mil. As molduras barrocas para espelhos ficam em torno de R$ 2 mil. Mas o grosso do lucro de Squarcini vem do entalhamento de móveis de madeira. As esculturas ele diz que faz por hobby.

O material usado é proveniente de madeira de demolição ou de árvores que caem naturalmente na cidade. Quando tem alguma árvore caída, vários escultores correm para pegar uma parte do tronco. Mas nunca derrubamos.”

Seu único receio com a viagem é em relação à comida chinesa. “O pessoal começou a brincar comigo, dizendo que eles comem grilo e gafanhoto frito. Eu não tenho frescura para comida, mas grilo empanado não dá”, disse Squarcini.

Normas para área envoltória passam por uma revisão

As resoluções de tombamento em vigor desde a fundação do Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas, em 1987, estão sendo revistas para poder normatizar as áreas envoltórias dos bens tombados. São cerca de cem resoluções envolvendo imóveis isolados, conjunto de imóveis, praças e matas. Na maioria dos casos, determinam que nada pode ser feito dentro de uma área de 300 metros de raio do bem tombado sem aprovação prévia do conselho.

Para a historiadora Daisy Ribeiro, do Condepacc, o engessamento da área de 300 metros fazia sentido antes, quando não havia um inventário do Centro Histórico e a preservação dessa área era necessária. “Hoje, temos condições de definir os tombamentos sem esse engessamento”, afirmou.

A tendência nos últimos tombamentos, disse, tem sido a de definir área envoltória igual a zero, mantendo a necessidade de consulta apenas para o imóvel tombado.

“Regulamentando a área envoltória, garante-se a visibilidade do bem tombado e a harmonia da área, com a fixação de parâmetros a serem adotados no caso de uma reforma, por exemplo”, explicou Daisy. Ocorre, no entanto, que muitas resoluções foram tão rígidas que acabam por impedir até a própria manutenção do bem tombado. (MTC/AAN)