Publicado 22 de Fevereiro de 2014 - 5h30

A falta de uma definição, entre Município e Estado, sobre a gestão compartilhada do Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim tem intensificado a deterioração de uma das maiores áreas de lazer de Campinas. Mato alto, pista de caminhada e quadra com pisos estragados, placas e lâmpadas quebrados formam o cenário de degradação. O Casarão, onde eram desenvolvidas atividades culturais e educativas, está abandonado. As paredes estão mofadas, sujas e as janelas quebradas. O deck onde antes eram desenvolvidas aulas, agora está tomado pelo mato, com o piso arrebentado e a grade danificada.

A falta de cuidado com a manutenção do local tem provocado, além da sensação de abandono, o afastamento das pessoas. Tanto no período da manhã ou no final da tarde e começo da noite, são poucos que procuram o local para a prática de exercícios ou caminhadas.

Em maio do ano passado, o governo publicava no Diário Oficial do Estado o decreto que garantia a cessão do parque à Prefeitura de Campinas por 99 anos. Segundo levantamento feito pela Prefeitura, seriam necessários ao menos R$ 16 milhões para uma reforma mais ampla na área verde. No começo do mês passado, em um acordo entre o Executivo campineiro e o estadual, ficou acertado que R$ 6 milhões deveriam ser empenhados para uma reforma básica no local.

Desse total, R$ 2,5 milhões viriam do Município e R$ 3,5 milhões do Estado. O acerto foi feito entre o prefeito Jonas Donizette (PSB) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB). O valor cedido pelo governo será anual e pelos próximos três anos. Porém, o documento que formaliza a parceria ainda não ficou pronto. “Esse valor de R$ 3,5 milhões será repassado anualmente. No total, serão R$ 10,5 milhões. O Município vai colocar os outros R$ 2,5 milhões pelo mesmo período e conseguiremos chegar ao necessário”, explicou o secretário municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes. O documento está sendo finalizado e será entregue em até dez dias para avaliação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA). Um dos pontos mais importantes no texto é a formalização da parceria e o que cabe ao Estado e ao Município na manutenção da área verde.

“A Prefeitura vai passar a cuidar do parque por meio das secretarias de Serviço Públicos, e do Verde. Também teremos a participação de um representante da secretaria estadual do Meio Ambiente”, afirmou Menezes. O chefe da pasta adiantou que será formado também um conselho de gestão com representantes de várias secretarias e de pessoas que têm interesse pelo tema.

O secretário afirmou que a assinatura da gestão compartilhada deve acontecer entre março e abril. “Primeiro precisamos resolver todas as questões burocráticas para destravar qualquer tipo de ação. Mas quando iniciarmos as obras começaremos pelas áreas de convivência, que estão bastante deterioradas.” Está previsto também a recuperação ambiental, onde serão plantadas dezenas de mudas.

Gestão compartilhada

O consenso pela gestão compartilhada vem sendo discutido dentro da Prefeitura há meses. Assim que o Estado fez a concessão ao Município, Jonas afirmou várias vezes que não admitiria assumir o parque se tivesse de investir sozinho recursos para a recuperação. Desde então, tem reunido seus secretários para estipular o valor de quanto é necessário para manter o espaço aberto e movimentado.

O parque também abrigará o Teatro de Ópera Carlos Gomes, que deverá estimular ainda mais uso do espaço. O projeto arquitetônico foi elaborado pelo arquiteto Carlos Bratke e doado à Administração pelo Swiss Park. A pedido da Secretaria Municipal de Cultura, o projeto passou por alterações para atender as necessidades de um teatro de ópera. A construção custará cerca de R$ 80 milhões.

Outro lado

A secretaria Estadual de Meio Ambiente informou, por meio de nota, que as obras de manutenção das áreas verdes do parque são feitas constantemente. A manutenção é feita diariamente: aparando a grama, consertando os bebedouros, as cercas e os banheiros, fazendo a substituição de lixeiras, conservando as áreas verdes e fazendo monitoria ambiental. O campo de futebol foi recuperado. Os vigilantes circulam por todo o parque e coíbem a maioria da depredação, que tinha um índice muito maior de incidência. E nega que a área verde esteja abandonada.