Publicado 22 de Fevereiro de 2014 - 5h30

A sociedade ainda assiste abismada aos atos de violência que são constantes nas manifestações de rua em todo o País. No Rio de Janeiro, a ação de vândalos, baderneiros e black blocs tem chegado a extremos, com enfrentamento da polícia, quebradeira de bancos e lojas, agressões a civis e tentativas de intimidação da imprensa, além da primeira morte contabilizada. Em graus diferentes, a violência é a marca presente nos atos que abafaram a iniciativa de uma série de manifestações pacíficas por mudanças no governo.

Para hoje, estão previstos novos protestos contra a realização da Copa do Mundo em algumas cidades. Pelas redes sociais, parece haver intensa mobilização pelos atos, o que exige uma preparação excepcional das forças policiais. Por óbvio, são esperadas as ações violentas que se repetem nesses eventos, daí a preocupação de todos os envolvidos e a expectativa de más notícias. Os abusos e as provocações devem se repetir e desta vez a resposta policial deve ser na mesma proporção (Correio Popular, 18/2, B2).

Enquanto isso, o governo federal se contorce na tentativa de montar uma resposta à sociedade que não tolera mais a crescente violência que toma as cidades. Com receio de se indispor com os ditos “movimentos sociais”, Dilma Rousseff hesita entre a falsa indignação e a providência inútil. Acena com uma indefinida lei antiterrorista, como se o problema não pudesse ser enfrentado com a legislação normal ou a Lei de Segurança Nacional. Uma aglomeração de dezenas, centenas de pessoas mascaradas, com mochilas carregadas de paus, pedras, pregos, fogos e material combustível, já não é motivo suficiente para enquadrar e prender esses baderneiros? O que mais seria necessário?

O que é inaceitável é a crescente violência tomar as ruas debaixo dos olhos da sociedade que assiste indignada à inação, aos esboços de defesa desses manifestantes, como se a desordem de qualquer natureza pudesse ser tolerável. A predisposição dos manifestantes é evidente e previsível, e os cidadãos comuns não podem virar reféns de um bando de desocupados que chegam a se dedicar a treinamento como se fosse um plano de guerrilha urbana.

O País vive um momento de despertar da cidadania e as pessoas parecem tomar posse do seu direito inalienável de fazer valer suas convicções. Mas nada justifica os atalhos totalitaristas e violentos que atropelam a lei e a liberdade de todos. É preciso uma resposta condizente e o restabelecimento da ordem institucional.