Publicado 21 de Fevereiro de 2014 - 5h30

A prisão de um jovem de 22 anos levou um grupo com cerca de 70 pessoas a bloquear, no começo da noite de ontem, a Rodovia Santos Dumont (SP-75), na altura do Jardim das Bandeiras, no sentido Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, por cerca de duas horas e causar um congestionamento de ao menos cinco quilômetros. A manifestação também provocou lentidão em diversas avenidas da cidade em pleno horário de rush. As vias atingidas, segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), foram a Prestes Maia, João Jorge, Aquidaban e Francisco Glicério. O grupo ateou fogo em pneus, pedaços de madeira e entulhos. Além da pista, os manifestantes colocaram fogo no mato do canteiro lateral da rodovia e em pontos da Avenida Ricardo Bassoli Cesare — que margeia a SP-75 — paralisando também o fluxo de veículos na via urbana. Um caminhão do Corpo de Bombeiros com seis homens foi ao local. Viaturas com agentes da Polícia Militar Rodoviária e Polícia Militar também foram chamadas para negociar o final do protesto com os manifestantes. O protesto foi organizado pela família, amigos e vizinhos do operário Jonathas Ronei dos Santos, de 22 anos, preso anteontem pela PM acusado de uma tentativa de roubo na casa de um policial. Segundo os manifestantes, o jovem foi preso injustamente, já que teria sido detido no lugar de um criminoso que teria tentado assaltar a casa do PM na companhia de um menor de 16 anos. A prisão aconteceu no Jardim Aerocontinental. Segundo a PM, o menor foi apreendido com uma arma de brinquedo e Santos em uma moto em um bairro vizinho.“Ele é estudante e não é bandido. Não tem ficha criminal. Eles prendaram meu filho por causa da roupa que estava vestindo. Ele está preso junto com um monte de bandido ruim. Ele é trabalhador e está fazendo um curso de torneiro mecânico no Senai”, afirmou a mãe do rapaz, Joana D’arc Aparecida dos Santos. “Quando aconteceu o assalto ele ainda estava em casa. Saiu em seguida e foi preso por causa da bermuda que vestia. Parece que o bandido estava com uma bermuda parecida. É muita crueldade prender uma pessoa sem provar que ela é culpada. O Jonathas nunca fez nada, sempre foi tranquilo. Agora enviaram ele até o presídio de Hortolândia. Imagina o que não vão pensar dele no trabalho, isso vai prejudicar muito ele”, afirmou a prima Gisele Rafael.Por quase duas horas a Polícia Rodoviária tentou negociar a liberação da pista com os manifestantes, que erguiam cartazes e gritavam pela liberdade do suspeito. Por volta das 19h30, o Corpo de Bombeiros jogou jatos d’água para apagar o fogo da barreira de entulhos e pneus e bombeiros começaram a remover o material. Um grupamento da Tropa de Choque da PM entrou na via e houve um princípio de tumulto. Alguns manifestantes correram em direção ao bairro, enquanto outros jogaram pedaços de pau e pedras nos policiais, que revidaram com bombas de efeito moral. “Tentamos negociar para não ter conflito. Entendemos a causa deles, mas é preciso procurar a Justiça para tentar resolver. Precisamos liberar a pista o mais rápido possivel”, disse o capitão da Polícia Rodoviária Ricardo Tofanelli.A família de Santos afirmou que tem um advogado cuidando do caso e prometeu uma nova manifestação se o rapaz continuar preso. “Todo dia vamos fechar essa rodovia até que a Justiça seja feita e meu filho volte para casa”, afirmou a mãe.