Publicado 21 de Fevereiro de 2014 - 5h30

A Câmara de Campinas aprovou ontem projeto de lei que permite motoristas e cobradores de ônibus e taxistas usarem bermuda durante o trabalho no período entre outubro a março. A proposta ainda passará por segunda votação (mérito) e depois por sanção ou veto do prefeito Jonas Donizette (PSB). Com isso, a regra poderá começar a valer somente no final de 2014. O projeto foi elaborado diante da onda de calor extremo, com temperaturas que atingiram índices recordes neste ano.Nas ruas, a proposta foi bem recebida pelos trabalhadores do transporte público. Um termômetro usado pela reportagem na tarde de ontem no Centro de Campinas marcou cerca de 43°C no espaço onde fica o banco do motorista em pelo menos três ônibus que tinham chegado no terminal, e estavam com motor recém desligado. Os motoristas são os que mais sofrem com o calor, já que o assento está localizado ao lado do motor.O projeto de lei não dá prazo para que a nova regra entre em vigor. De acordo com o autor da proposta, o vereador Carlinhos Camelô (PT), não foi estipulada data para que as empresas tenham tempo suficiente para adequar os uniformes. “A bermuda não será obrigatória, mas uma opção. É um método de cidadania permitir que a pessoa trabalhe mais à vontade”, disse. Camelô também incluiu a nova regra aos taxistas. Apesar de não usarem uniforme, a Prefeitura, que dá concessão aos profissionais, não permite o uso de bermuda. “Alguns têm carro com ar-condicionado. Outros não”, disse o vereador.O taxista Laércio Aparecido Magnesi aprova a medida. “Desde que seja uma bermuda discreta, acho que ajudaria muito”, disse.Ventiladores

Para amenizar as altas temperaturas, os funcionários contam com pequenos ventiladores portáteis, que são instalados pelas empresas à frente do banco dos motoristas. Mas eles reclamam que o equipamento nem sempre é suficiente. O motorista Alexandre Ayusso, de 35 anos, afirma que os ventiladores internos do ônibus, que ficam no teto, nem sempre funcionam. “O calor é grande e nos horários de pico, claro, fica pior. Acho que o uso da bermuda ajudaria”, disse. Ayusso, que trabalha na linha que leva passageiros até a Vila Padre Anchieta, conta que chega a ficar até duas horas dentro do veículo sem sair.O motorista Emanuel Nogueira, de 49 anos, também aprova a ideia. Diante do calor excessivo, a empresa instalou um ventilador na frente do volante do veículo que dirige. “Alivia, mas pouco, porque não é um ar refrigerado.”A motorista Ana Lúcia Andrade, de 43 anos, uma das poucas mulheres que dirigem ônibus em Campinas, também aprova a ideia do uso da bermuda. “O calor é intenso demais. Não acho que seria um problema, pelo contrário, seria muito bom. O motor aquece e esquenta cada vez mais”, disse.Para os cobradores, a medida é bem-vinda. Sandra de Jesus Pereira, de 41 anos, reclama do calor e diz que a única opção de maior ventilação é manter as janelas abertas. “É terrível, vazio ou cheio, o calor aqui dentro é grande.”Empresas

A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), que integra as concessionárias do transporte coletivo, informou ontem, por meio da assessoria de imprensa, que não se posicionaria sobre o assunto porque não tem conhecimento quanto à proposta. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Campinas e Região, Matusalém de Lima, também não quis comentar o assunto. “Não é a primeira vez que a Câmara toma iniciativas sem a nossa participação”, disse.