Publicado 21 de Fevereiro de 2014 - 5h30

Mesmo com todos os argumentos desfiados contra os abusos que são cometidos durante os tradicionais trotes universitários, ainda resiste essa forma de comemoração do ingresso em faculdades, expondo “bixos” e veteranos em constrangedoras situações que vão da humilhação em público à violência explícita que, não raro, descamba para agressões, danos físicos e até morte. Há tempos que se propõem formas alternativas de celebrar o ingresso no Ensino Superior, como os trotes solidários, ações sociais, eventos de integração, todos estimulados pelas próprias faculdades, mas do lado de fora dos portões ainda persiste uma minoria que insiste no mau gosto dos desfiles de jovens sujos e muitas vezes alcoolizados, enquanto veteranos arrecadam esmolas simbólicas para a comemoração em algum bar.

Em muitos casos, há o consenso de ambas as partes e, aos poucos, a atitude agressiva se resume apenas ao confrangimento de obrigar os novatos a um ritual de passagem, geralmente aceito em tom de brincadeira. Mas quando o trote passa a ser sério e imposto, há que se criminalizar esse tipo de atitude em defesa das eventuais vítimas.

Toda etapa cumprida na vida de qualquer pessoa deve ser marcada com comemorações ou mesmo piedosas celebrações, estabelecendo um momento na vida dedicado para o encerramento de uma fase ou início de um novo tempo. Assim é a cada final de semana ou de ano, quando as pessoas buscam a oportunidade de um recomeço sem enganos e com maior esperança.

Conseguir entrar em uma faculdade no Brasil ainda é um privilégio para poucos, que merece ser marcado de forma indelével por todos que se esforçaram de alguma forma para inaugurar um novo tempo de preparação profissional e acadêmica. Dar seguimento aos estudos é uma forma de avançar socialmente, completar-se como indivíduo, aperfeiçoar os instrumentos culturais, dedicar-se a uma forma diferenciada de relação, ter contato com um mundo que se vislumbra com uma perspectiva inegavelmente diferenciada. Agregue-se a isso a projeção social e as oportunidades que surgem a partir dessa etapa.

Por isso, nada mais justo que a celebração dessa conquista reflita os propósitos e interesses desses jovens acadêmicos, que amanhã serão os professores, médicos, profissionais liberais, engenheiros e outros, marcados por um início de vida acadêmica que, ao final do curso, acabará soando um tanto patética diante do que é, em princípio, uma oportunidade única a ser valorizada sob todos os aspectos.