Publicado 19 de Fevereiro de 2014 - 5h30

Parentes de dependentes químicos beneficiados com o Cartão Recomeço, do governo estadual, passam a receber, a partir de hoje, assistência psicológica. É o Recomeço Família, que tem por objetivo apoiar quem convive com um usuário de drogas. Campinas será a primeira cidade do Estado a ter o programa. O primeiro grupo inicia as atividades na região do Vida Nova.

Serão realizadas sessões de terapia individual com uma psicóloga, além das orientações com um conselheiro em dependência química. O trabalho também é financiado pelo Estado. Para Nelson Hossri, da Coordenadoria de Prevenção às Drogas de Campinas, o apoio familiar é vital para a reestruturação do dependente. “Sabemos que a família, com certeza, é a porta de entrada para a tão sonhada recuperação”, afirmou.

O atendimento será voltado a parentes de dependentes que já estão internados com recursos do Cartão Recomeço ou daqueles que já procuraram apoio e aguardam vaga em comunidades terapêuticas.

As reuniões dos grupos familiares serão todas as terças e quintas-feiras. Às quartas-feiras, das 18h às 20h, haverá palestras e debates sobre o tema. Os encontros serão no Centro de Integração do Cidadão (CIC), no Vida Nova.

“As famílias adoecem junto com o dependente químico, por isso, é importante tratar os dois. A família, muitas vezes, não toma a melhor medida por não entender a doença da dependência, o que acaba agravando o convívio com o dependente e, posteriormente, o vínculo familiar, que já era fragilizado, acaba sendo rompido”, explicou o coordenador de prevenção às drogas de Campinas.

I.G., 50 anos, conhece a realidade de ter um filho viciado em drogas. Sua filha, de 28 anos, é dependente química desde a adolescência. A jovem faz os últimos exames para garantir uma vaga em uma comunidade terapêutica. Enquanto isso, a mãe se prepara para começar a frequentar as reuniões. “Vai ser maravilhoso porque a gente não sabe muito bem como agir, muitas vezes. Vamos poder interagir com as outras famílias para ajudar nossos filhos.”

Campinas possui 200 vagas disponíveis para internação por meio do cartão. Atualmente, 104 usuários já estão em tratamento. A comunidade terapêutica que acolhe o paciente recebe R$ 45,00 por dia (R$ 1.350,00 por mês) para tratar o usuário e o dinheiro é repassado diretamente para a entidade.