Publicado 19 de Fevereiro de 2014 - 5h30

A Prefeitura de Campinas vai utilizar o dinheiro de contrapartidas da aprovação de empreendimentos, fruto de termos de ajustamento de conduta (TAC) com a Administração, para financiar a reforma do Teatro Luís Otávio Burnier, no Centro de Convivência Cultural. O local está fechado desde 2011. A licitação da obra, estimada em R$ 650 mil, estava prevista para dezembro, mas o alto custo levou a Prefeitura a buscar empresas que tivessem TACs — assim, as próprias empresas contratarão os projetos, sem necessidade de licitação, o que reduzirá o tempo de contratação da obra, que deverá custar R$ 15 milhões. Para a reforma, serão elaborados dois projetos: o estrutural e o eletromecânico.

O secretário de Infraestrutura, Carlos Augusto Santoro, disse ontem que já tem uma empresa interessada em fazer a compensação no Convivência — ele não informou qual, mas disse que o TAC que ela assinou vai permitir que o projeto estrutural, avaliado em R$ 500 mil, possa ser feito. Esse termo, segundo ele, não tem participação do Ministério Público. “Estamos em negociação também com outra empresa, para que assuma o custeio do projeto eletromecânico”, disse.

A maior parte, R$ 500 mil, será investida no projeto de estrutura. Metade desse valor, estimou Santoro, será utilizada para os testes estruturais, que irão mostrar como se comporta o prédio da década de 70. Os outros R$ 150 mil irão financiar o projeto eletromecânico. A parte elétrica e hidráulica, disse, está muito prejudicada. “Está fora de norma, é um projeto de 1974 e hoje não dá para fazer as mesmas instalações”, disse.

Em junho do ano passado, a Secretaria de Cultura informou que a reforma do CCC deve durar dois anos. Apesar de as obras ainda não terem começado, o secretário de Cultura, Ney Carrasco, informou que o compromisso do prefeito Jonas Donizette (PSB) é entregar o espaço público revitalizado até 2016.

Só depois que os laudos forem entregues — ainda não há prazo estabelecido — começa a etapa de obras, que terá o processo de licitação dividido em três fases: a primeira concorrência será para reformas na parte elétrica, hidráulica e mecânica do teatro interno; a segunda licitação é para as obras do projeto estrutural, que envolvem conserto de rachaduras e pintura de toda a estrutura de concreto, e a terceira etapa é referente exclusivamente às obras de impermeabilização.

Abandono

As precariedades do Centro de Convivência são muitas. Há fios expostos, ligações de energia clandestinas, goteiras, muita umidade no chão e nas paredes pela infiltração no local e até esgoto a céu aberto. Do lado de fora, os problemas também são visíveis. Os pilares localizados próximos à entrada onde funcionava o setor administrativo da Orquestra Sinfônica possuem rachaduras e o chão já cedeu.

As arquibancadas do Teatro de Arena estão em mau estado e os primeiros degraus que dão acesso ao teatro apresentam início de erosão, o que permite que a água da chuva escoe ainda mais para dentro do teatro, contribuindo com a infiltração.

Não apenas o teatro interno, mas o Teatro de Arena também tem problemas. O espaço ficou fechado por seis anos e foi reaberto no final de 2011. Ele foi fechado após se transformar em palco de conflito entre gangues de pichadores. O local não recebeu pintura ou teve qualquer tipo de intervenção antes de ser entregue.