Publicado 19 de Fevereiro de 2014 - 5h30

Com aumento de 50% no número de mortes de 2012 para 2013, a Rodovia Anhanguera (SP-330) se tornou a mais violenta da região de Campinas. No ano passado foram 34 vítimas fatais, contra 22 no ano anterior. A estrada também foi a que registrou a maior quantidade de acidentes entre as 13 vias que cortam a região. Ao todo foram 1.899 (362 casos a menos do que o registrado no período anterior).

O dado é de um levantamento da Polícia Militar Rodoviária que apontou queda de 10% na quantidade geral dos acidentes nessas rodovias em 2013 na comparação com 2012 (8.518 em 2012 e 7.661 no ano passado). Porém, o levantamento revelou que as colisões passaram a ser mais violentas, com um maior número de mortes. Nas 13 rodovias da região foram 147 mortes no ano passado, dez a mais que em 2012. Atropelamentos e colisões envolvendo motociclistas, além do excesso de velocidade, são os maiores causadores de óbitos nas estradas, segundo a polícia.

Um estudo realizado em 2013 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), baseado em dados de 2010 divulgados pelo Ministério da Saúde, aponta que cerca de 90% dos acidentes em rodovias acontecem por falha humana. Muitos dos casos ocorrem por imprudência como excesso de velocidade ou motoristas embriagados.

A Rodovia Santos Dumont (SP-075) era a que mais matava na região até 2012 (foram 23 mortes naquele ano). No ano passado o número subiu para 30. A via registrou 989 acidentes em 2013, 77 a menos do que no período anterior, ficando na terceira posição no quesito, atrás apenas da D. Pedro I (SP-065).

Na quantidade de vítimas fatais, a Bandeirantes (SP-348) ficou na terceira posição entre as rodovias (veja quadro ao lado).

Bairros

Segundo o capitão e comandante da Polícia Rodoviária, Hugo Maeda Yanase, os atropelamentos na região acontecem principalmente pela localização das rodovias que cortam diversos bairros populosos e também margeiam empresas e indústrias. Outro fator apontado é a imprudência e negligência dos motoristas. “Grande parte dos acidentes com vítimas é provocada por excesso de velocidade. Veículo que não consegue reduzir e acaba colidindo com a traseira de outro parado, motorista que perde controle e atinge barranco ou defensa. E tem também o veículo que atravessa o canteiro central e colide com outro da pista oposta”, afirmou.

O comandante citou como exemplo a morte de uma família de ciganos (sete pessoas) no ano passado na Bandeirantes. “Um Polo atravessou a pista e bateu de frente com um Jetta com oito pessoas. Apenas uma garota sobreviveu. Esse acidente foi marcante e estamos falando de atravessar um canteiro que é extenso. O carro estava em alta velocidade”, disse. Outro problema é que os trechos são muito urbanizados. “Principalmente na Anhanguera e na Santos Dumont, que passam por diversos bairros onde a população ignora a passarela e atravessa na pista”, afirmou.

O comandante afirmou que do total das mortes na Anhanguera, de 40% a 50% foram por atropelamentos. “A pessoa acha que dá, mas se engana. Realmente é preciso ter um trabalho de conscientização e educação para essa realidade mudar”, disse. Ele lembrou que em atropelamento na estrada há 99% de chance da vítima vir a óbito.

Yanase ressaltou que a Polícia Rodoviária tem intensificado as ações para reduzir os índices de acidentes. “Diariamente realizamos operações com uso de radar para fiscalizar a velocidade. Nos fins de semana, temos realizado operações”, explica. Ele ainda alertou que o limite de proximidade entre veículos pode ser medido facilmente. “O perigo está sob controle enquanto você consegue enxergar o pneu do carro da frente. Se está vendo o pneu, dá tempo para segurar se ocorrer uma freada brusca. Em tempo, isso dá cerca de três segundos.”

Pedestres se arriscam na travessia de trecho ‘crítico’

A reportagem esteve na semana passada na Rodovia Anhanguera, próximo ao km 91. Lá, no começo do mês, moradores fizeram uma manifestação com bloqueio de pista pela morte do adolescente Jonathan William Navera da Silva, de 17 anos, atropelado. Eles pediam mais segurança no local. O trecho liga os bairros Nova Europa e Parque Oziel e é sinalizado para pedestres, que têm que correr para a travessia. Não existe passarela no ponto.

No começo da manhã e no fim da tarde é fácil flagrar pedestres se arriscando entre os veículos que passam em alta velocidade pelo local. “Tem que ser rápido, se não o carro passa por cima mesmo”, afirmou o operário José Pedro Silva. Seu colega de trabalho, Sebastião Tieres, também acha a travessia perigosa. “Não temos passarela, o jeito é atravessar correndo”, afirmou.

Para o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista em trânsito Creso de Franco Peixoto, é preciso analisar o volume diário dessas rodovias. “A Anhanguera, Bandeirantes e Santos Dumont são muito movimentadas, e com isso a quantidade de acidentes e mortes, aumenta. É preciso fazer um trabalho com motoristas e população do entorno das rodovias, além de implantar passarelas nos pontos necessários.” Pela Anhanguera, no trecho de Campinas, passam diariamente cerca de 70 mil veículos; pela Bandeirantes, 90 mil, e pela Santos Dumont, 90 mil.

“Grande parte das mortes tem relação com motociclistas. Acredito que é preciso haver mais fiscalização nas rodovias. Só assim os motoristas irão controlar a velocidade e vão tomar mais cuidado”, disse Peixoto. (LF/AAN)