Publicado 19 de Fevereiro de 2014 - 5h30

Depois de 27 dias em queda e os dois últimos com estabilização, a água armazenada no Sistema Cantareira voltou a reduzir ontem — os reservatórios operaram com 18,4% da capacidade contra 18,5% no domingo e segunda-feira. O motivo é que, embora o volume de entrada de água tenha aumentado, ainda continua abaixo do volume de saída. Ontem, entraram no Cantareira 21,7m3/s e saíram 28,7m3/s para as Bacias PCJ (4m3/s) e Grande São Paulo. Além disso, choveu pouco no sistema, apenas 1 milímetro.

A vazão no Rio Atibaia, em Campinas, na captação da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), foi de 11,5m3/s ontem às 12h40. Esse índice representa, por exemplo, menos da metade do registrado há exato um ano, no Verão passado, quando o Atibaia apresentou uma vazão de 28,3m3/s, segundo a Rede Telemétrica do Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee).

De acordo com o diretor técnico da Sanasa, Marco Antônio dos Santos, a vazão garante o abastecimento de Campinas, mas ainda está carregando poluentes, o que exige reforço no tratamento da água a ser distribuída à população.

Mesmo com chuvas, mas ainda insuficientes, o Consórcio PCJ mantém o alerta aos municípios para que continuem fazendo estoques de produtos químicos e não interrompam o abastecimento de caminhões-pipas de empresas e prefeituras e dos poços profundos, para estarem preparados para adotar o chamado abastecimento de salvação — garantir, em situação extrema de seca, o fornecimento de 20 litros de água diário por pessoa.

De acordo com o boletim diário da Sala e Situações dos Comitês PCJ, a previsão de chuva até dia 22 é de acumulados de 10 mm nas Bacias PCJ, o que ainda não garante níveis tranquilos nos rios — para isso, a chuva tem que cair nos principais rios, nos afluentes e no Sistema Cantareira.

O volume extra do Sistema Cantareira para o Rio Atibaia (de mais 1m3/s) só deverá chegar em Campinas entre hoje e amanhã. Para que o sistema possa elevar o volume armazenado, é necessário que chova no Sul de Minas Gerais e em Bragança Paulista e Vargem Grande. Formado por quatro represas, o sistema é responsável por abastecer casas de 14,5 milhões de pessoas na região de Campinas e na Grande São Paulo. Em janeiro, as chuvas que normalmente chegam a 300 milímetros ficaram em 87,7 milímetros.