Publicado 19 de Fevereiro de 2014 - 5h30

Os prefeitos da Região Metropolitana de Campinas (RMC) sairão em busca de financiamento para a construção de reservatórios municipais e, assim, aumentar a disponibilidade de água para a região. A escassez hídrica deste Verão acionou o alerta de que não podem mais depender exclusivamente das calhas dos rios principais das Bacias dos rios Piracicaba Capivari e Jundiaí (PCJ), se querem garantir o desenvolvimento regional. A busca de fontes de financiamentos foi a primeira tarefa dada pelos prefeitos ao novo presidente do Conselho de Desenvolvimento da RMC, o prefeito de Holambra, Fernando Godoy (PTB), empossado ontem (leia mais na página A6).

A reserva de água na região visa evitar colapso de abastecimento em uma área onde há mais autorização para retirada do que a água que passa pelos rios, e onde já há comprometimento na atração de investimentos. Em Campinas, a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa) decidiu iniciar estudos de viabilidade para a construção de um grande reservatório, que possa garantir o abastecimento da cidade por seis meses, na eventualidade de uma seca prolongada.

Indaiatuba está construindo uma barragem com capacidade para 880 milhões de litros de água (metade dela no bairro Mirim, área do município, e a outra metade, no bairro Friburgo, em Campinas). O investimento, de R$ 30 milhões, vai assegurar, a partir de 2015, o abastecimento local por pelo menos 30 anos, com o represamento do Rio Capivari-Mirim, segundo o prefeito Reinaldo Nogueira (PMDB).

O prefeito de Santa Bárbara d’Oeste, Denis Andia (PV), disse ontem na reunião que a saída para a crise hídrica são as barragens, e citou o exemplo de sua cidade, com reservatórios que evitaram o racionamento. “Temos que pleitear junto aos governos federal e estadual recursos para os municípios construírem alternativas de abastecimento, tentar uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), enfim, buscar um jeito de cada cidade ter sua reserva.”

O Consórcio PCJ elaborou, no ano passado, uma cartilha com o passo-a-passo para a implantação de represas, porque considera as barragens uma saída para o abastecimento nos municípios das bacias, hoje muito dependentes do Sistema Cantareira. A construção de barragens é uma das orientações do Programa de Ampliação da Oferta Hídrica, que o consórcio vem desenvolvendo. “Não adianta a gente sair atrás de recursos se não tivermos projetos, com identificação de áreas, de vazão, com licenciamento ambiental”, disse o presidente do consórcio, Reinaldo Nogueira.

Na região de Campinas vários projetos de barragens estão em andamento. Em Capivari, por exemplo, onde existe uma represa construída na década de 60, no Ribeirão Água Choca, dentro da Fazenda Miliã, que fornece 25 litros por segundo, há projetos para a construção de dois novos reservatórios. O abastecimento da cidade, além da represa existente, é reforçado por vários poços profundos.

Em Jundiaí um reservatório ajuda no abastecimento e está em projeto a ampliação do lago que hoje ocupa 1 milhão de metros quadrados, com um volume de 5,5 bilhões de litros. Essa ampliação, que vai exigir investimentos de mais de R$ 10 milhões, deve chegar a 12,5 bilhões de litros, o que proporcionará a regularização do abastecimento da cidade pelos próximos 40 anos.

Em Nova Odessa, a água distribuída à população é captada em mananciais próprios há mais de 40 anos, em seis represas. A Prefeitura tem as autorizações ambientais e busca recursos externos para a construção de duas novas represas na bacia do Córrego Recanto e uma no Córrego Palmital.

Há projetos para o barramento do Rio Capivari-Mirim, com ampliação em 316 l/s das captações para a região de Indaiatuba, que poderá ainda aumentar em 900 l/s com o barramento do Rio Piraí, para ajudar no abastecimento de Indaiatuba, Salto, Itu e Cabreúva. Para o futuro há projetos para incremento da transferência de água do Rio Atibaia para o Rio Jundiaí-Mirim (dos atuais 1,2 mil l/s para 1,7 l/s) para atender Jundiaí, Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista e do Rio Jundiuvira para o Rio Piraí, por meio de barragens, reservatórios e túnel.

Hidrelétricas preocupam os prefeitos

As duas barragens que serão construídas pelo governo do Estado em Amparo e Pedreira, uma no Rio Camanducaia e outra no Jaguari, é demanda antiga da região, mas o anúncio de que serão também pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) está preocupando os prefeitos. Eles temem que, com o uso da água para produção de energia, o volume para o abastecimento público possa ficar comprometido. “Temos que garantir, na renovação da outorga do Sistema Cantareira, que sejam garantidas as vazões mínimas dessas represas para rio abaixo, porque as cidades poderão ser prejudicadas pelos reservatórios”, disse o prefeito de Jaguariúna, Tarciso Chiavegatto (PTB).

Jaguariúna é abastecida pelo Rio Jaguari, que passa por Pedreira, Americana e Limeira. O Jaguari recebe o Camanducaia e depois se junta ao Rio Atibaia em Americana, para formar o Rio Piracicaba. Segundo o gerente do Consórcio PCJ, Alexandre Vilella, cerca de 700 mil pessoas, além de indústrias, estão na área de influência dos rios Camanducaia e Jaguari. De acordo com o técnico, reservatórios para abastecimento público precisam de água descendo para os rios. Para a produção de energia, precisam de quantidade para mover as turbinas. “Se a quantidade é pouca, a água não segue para o rio e vai sendo represada até chegar a volume suficiente para produzir energia. Nessa operação, o rio pode ficar sem água para captação pelas cidades”, disse. (MTC/AAN)