Publicado 19 de Fevereiro de 2014 - 5h30

Não bastassem os preocupantes arroubos de violência que têm sacudido a sociedade brasileira, convulsionada pelos altos índices de criminalidade, a ação predatória de manifestantes nas ruas, a degradação das relações sociais, a falta de regras que se manifesta já nas escolas fundamentais, também o esporte tem se convertido em péssimo exemplo. A violência e a malandragem dentro dos campos se refletem em conflitos nas arquibancadas, espraiando-se nas ruas, onde brigas e mortes começam a fazer parte de uma rotina que afasta os torcedores do que deveria ser uma festa segura.

Os choques entre quadrilhas que se disfarçam de torcidas organizadas atingiram um nível acima de qualquer limite tolerável, exigindo que se tomem medidas sérias e eficazes. Não é mais possível que um grupo relativamente pequeno ocupe o espaço que deveria ser dos autênticos torcedores, insuflando o ódio e a rivalidade imbecil que é fundada na violência e na agressão dos que deveriam ser apenas adversários no esporte. É preocupante o estágio a que se chegou, onde ninguém está a salvo, sequer os profissionais que são agredidos e ameaçados pelo bando de baderneiros.

Alguns gestos simbólicos têm demonstrado uma tímida intenção de enfrentar o problema. Banderinhas atuando em jogos de futebol com bandeira branca, faixas alusivas conduzidas pelos jogadores e até uma entrevista coletiva com técnicos de times adversários são simbolismos que marcam a disposição de um novo ambiente, mas não antecipam nenhuma medida séria. A maioria dos briguentos são conhecidos, facilmente identificáveis, fichados na polícia e, pior, reincidentes em casos de brigas, mortes e tumultos. O que pesa é a falta de providências policiais que não levam para a cadeia esses criminosos, e dos dirigentes dos clubes que, cinicamente, escondem seu medo de enfrentar esses grupos dissidentes.

Em suma, o problema da violência nos estádios e no ambiente do futebol é a covardia de todos, a começar pelos agressores que agem impune e acintosamente, certos do apoio que lhes garante trânsito livre nos clubes, centros de treinamento e estádios. Acobertam-se como covardes os dirigentes cúmplices dessa violência que destrói um patrimônio que o mundo inteiro conquistou e no Brasil se decompõe com o afastamento das torcidas dos estádios. E falha a Justiça que não pune devidamente os vândalos que ameaçam a sociedade, que assiste ao teatro da degradação do esporte pela televisão.