Publicado 28 de Fevereiro de 2014 - 20h32

Participantes de performance realizada na avenida Paulista, em São Paulo: crítica ao trabalho corporativo

Divulgação

Participantes de performance realizada na avenida Paulista, em São Paulo: crítica ao trabalho corporativo

Mais uma vez, as escolas de samba de Campinas correm contra o tempo para finalizar os carros alegóricos e as fantasias para o desfile de Carnaval, neste domingo e segunda-feira. A maior parte dos grupos está alocada nos galpões da Estação Cultura e os preparativos, como todo ano, começaram somente em janeiro. Por conta do tempo curto, as alegorias são improvisadas e pouco produzidas. Cada uma das escolas recebe R$ 84 mil da Prefeitura. O custo total com a festa também cresceu em relação a 2013: passou de R$ 1,6 milhão para R$ 2,3 milhões, considerando os repasses e a infraestrutura. A escola Princesa de Madureira, do Parque Oziel, na tarde de ontem tinha um carro sem qualquer tipo de intervenção, apenas com a estrutura de ferro. “Vai ter de dar tempo. Todo ano é essa mesma correria”, disse o diretor da agremiação, Charles Alberto.

A Vila Rica começava ontem a soldar um dos três carros alegóricos. Três pessoas trabalhavam para finalizar as estruturas. O carnavalesco Denilson Camargo admitiu o tempo curto, mas garantiu que as alegorias ficarão prontas a tempo. “Todo ano é uma luta contra o tempo.”

O tesoureiro da escola de samba Xangai, Luciano Alexandre de Souza, contou que tem varado a madrugada para dar conta dos serviços. Segundo ele, a produção das alegorias começou apenas em meados de janeiro, pouco mais de um mês antes do Carnaval. “Não começamos antes porque não temos a segurança de que o Carnaval vai realmente acontecer. Imagina se não tem? É um desespero”, disse.

As escolas de samba reclamam de instabilidade, pela demora da Prefeitura em decidir se haverá desfile e como será feito. Além disso, elas dependem quase que 100% do recurso municipal e, a maior parte não realiza qualquer tipo de atividade para arrecadar dinheiro ao longo do ano. “Tem gente que até faz feijoada, mas não ajuda muito. Nós não fazemos porque não temos sede”, disse Alberto, da Princesa de Madureira.

Neste ano, o anúncio sobre a decisão de levar o Carnaval para a Estrada dos Amarais ocorreu em janeiro, mas o Executivo afirma que as discussões ocorrem desde abril do ano passado em parceria com as escolas de samba.

O desfile acontecerá na mesma via onde está localizado o Cemitério Parque Nossa Senhora da Conceição e os velórios serão transferidos durante o feriado. Dois anos atrás, a festa era realizada na saída do Túnel Joá Penteado. Recentemente, foi até descentralizado e dividido nos bairros. A constante reclamação dos moradores por causa do barulho motivou a Prefeitura a “isolar” a festa neste ano.

O secretário de Cultura, Ney Carrasco, nega as acusações dos diretores das escolas e afirma que a conversa com eles começou em abril do ano passado. Afirmou que o recurso foi entregue em parcelas, em outubro e janeiro. “Muitas demoraram a receber porque não entregavam a documentação. Depende muito delas também, em se organizarem”, disse. Duas escolas ficaram de fora por não prestarem contas à Prefeitura. O valor que seria entregue a elas foi distribuído entre as outras.

Carrasco evitou polemizar e afirmou que acredita que as escolas podem se profissionalizar. “Tenho muito apreço por elas. Acredito que haverá um amadurecimento. Eu tinha consciência de que isso não aconteceria neste ano.”

Local

A mudança do local do desfile é motivo de críticas. A Estrada dos Amarais está a nove quilômetros de distância da Estação Cultura, onde estão armazenados a maior parte dos carros alegóricos. Para isso, a Prefeitura providencia guinchos para fazer o deslocamento. Uma licitação chegou a ser aberta para contratar uma empresa especializada no serviço, mas não houve nenhuma apta. Segundo a Administração, guinchos da própria Prefeitura serão usados para deslocar as estruturas.