Publicado 23 de Fevereiro de 2014 - 10h15

Por Rogério Verzignasse

O padre jesuíta Harold Joseph Rahm faz 95 anos

Carlos Sousa Ramos/AAN

O padre jesuíta Harold Joseph Rahm faz 95 anos

A Instituição Padre Haroldo — entidade beneficente campineira voltada ao tratamento de jovens e adultos envolvidos com álcool e drogas — é reconhecida no mundo inteiro. Os diplomas, medalhas e certificados, conquistados ao longo de décadas, decoram as paredes. Com repasses públicos e parcerias privadas, a entidade já melhorou a vida de 70 mil pessoas — 15 mil dependentes químicos e seus parentes — em 36 anos de história. Sempre procurou oferecer assistência a preços simbólicos a quem não pode pagar. Hoje mesmo, cerca de 800 dependentes circulam pelas alamedas, jardins e oficinas da sede, em uma área remanescente da antiga Fazenda Brandina, na região do Shopping Iguatemi. O que nem tudo mundo sabe, no entanto, é que aquela obra social notável foi criada pelo padre jesuíta Harold Joseph Rahm, texano de Tyler, que se mudou para Campinas há 50 anos, e que justamente neste final de semana completa 95 anos de idade.

Ele, que nunca conseguiu se livrar do sotaque carregado, fundou uma dezena de entidades filantrópicas com o objetivo de tratar a dependência química e a promover a inserção social.

Hoje em dia — caminhando com cuidado, e reclamando um pouco da audição — Haroldo afirma, sem pestanejar, que ainda há muito para fazer na incansável luta contra as drogas. Ele diz que o Brasil tem sim cerca de 2 mil comunidades terapêuticas, clínicas especializadas, ótimos centros de atenção psicossocial. Mas, apesar de toda a estrutura, nunca se consumiu tantas substâncias psicoativas. “Desde os anos 60, o que se viu foi a droga sair do mundo marginal e tomar conta da sociedade. O mundo vai perdendo a batalha contra as drogas, que são oferecidas a qualquer jovem, em qualquer lugar, a qualquer hora”, lamenta.

E o padre diz que a situação só pode mudar com a educação de pais, professores, religiosos. “Já não basta acolher e tratar o usuário de droga. A sociedade precisa aprender a prevenir o vício”, afirma. E a prevenção, explica, é o alicerce de todas as ações promovidas atualmente pelo instituto.

Mas o padre Haroldo, enfim, é um otimista assumido. Cercado de imagens de Nossa Senhora de Guadalupe (padroeira da obra) ele se diz confiante nas transformações individuais, motivadas principalmente pela espiritualidade. A fé, pregada em quaisquer templos, de qualquer orientação religiosa. Segundo ele, a ação ecumênica se fortalece em toda a comunidade. “Não interessa se é padre ou se é pastor. Hoje, a questão das drogas é preocupação de todos”, afirma.

O padre conta que, na terra natal, só resta uma irmã viva, Shirlei. Casada, cheia de filhos. E ele fala que não a vê há uns dez anos. Mas não há tristeza no semblante. O religioso anda sorrindo pelos canteiros, conversando o tempo todo com os residentes. Aquele é o seu mundo. E ele não faz planos de parar. Sabe que a missão não acaba. “A saúde está boa. Me sinto bem. Vamos em frente.”

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Rogério Verzignasse