Publicado 23 de Fevereiro de 2014 - 5h09

MOACYR CASTRO - IG

CEDOC

MOACYR CASTRO - IG

Certos sentimentos no Brasil não têm valor algum. Solidariedade, fidelidade, amizade, promessa, compromisso, coerência, desprendimento, palavra, honradez, respeito, princípio – tudo aquilo que a gente aprende (ou aprendia) em casa, na escola, na igreja, os políticos destroem. O que já jorra de esgotos eleitorais por estações de rádio e TV é o contrário do que se pregou. E tome egoísmo, traição, deboche, ódio, estupidez, agressão, abandono, cinismo, ofensa. Pregam o bem e praticam o mal; consideram-se bons, mas são ruins; prometem querer nosso bem, querem nossos bens. Pensar em honestidade seria imaginar a donzela no bordel. Em uma semana, não encontrei outra manifestação, quando tentei saber de certos políticos a razão de três condutas.

Foi ‘pun... gente’!

Tome-se essa tal comissão da verdade. Assusta pelo nome. Não há verdade onde há políticos, eles mesmos provam. Onde ficam solidariedade, fidelidade, promessa ou compromisso quando se pergunta se entrará na agenda dela a apuração da verdade sobre as mortes – por assassinato! – dos ex-prefeitos Celso Daniel, de Santo André, e Antônio da Costa Santos, de Campinas? Desde que foram abatidos, nenhuma marcha de protesto, dia de luta ou de mobilização geral contra esses criminosos que estupraram a democracia e os tais direitos humanos. Sofreram amigos e parentes, esses, sim, direitos e humanos.

As vítimas eram inimigas de membros da comissão? A quem não interessa saber por que eles morreram e quem os matou? A resposta é sempre o mau e velho jargão dos acuados: “O companheiro precisa entender que é complicado.”.

Há poucos dias, um senhor que se apresenta como candidato a candidato ao governo do estado mais importante da União veio a Ribeirão Preto passar por inesperado (por ele) constrangimento perante a classe que mais gera riqueza, impostos e trabalho, como sempre, na história deste País: gente do agronegócio, trabalhadores da terra – que não fizeram nada além de cobrar promessas jamais cumpridas, como sempre, na história deste País. A principal delas: tire seu cinismo do nosso caminho. Ele estava na terra dos ‘heróis’ do ex-presidente e de um ‘cumpanhêro’ de partido, maior expressão política da cidade, que nem foi convidado para o jantar, muito menos citado nos discursos e sequer teve sua ausência explicada ou lamentada por aquele senhor. De amigos assim, Brasília, que não por acaso rima com quadrilha, está mais cheia do que o inferno.

Em Campinas, a história se repetiu, como farsa, para ser coerente com os amiguinhos de Karlito Marx. O mesmo senhor, em busca do mesmo trono, esteve aqui. Cinema, mil jornais, muita gente, ilusão, digo, televisão. Ele estava na terra daquele ex-prefeito assassinado, do seu partido!, mas esquecido pela estrela da companhia. E na terra dos dois anteriores, ambos cassados, um preso. Também, claro, ignorados. Mas aí, só a solidariedade foi caçada, eles não.

Pregado no poste: “Não fique com cara de trouxa”